A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 05/03/2021
No final da década de 1990, surgiu o famoso “bug do milênio”, um rumor que evidenciava que, na virada do ano de 1999 para o ano 2000, todos os computadores iriam ter falha no sistema e todas as informações já contidas na internet mundial seriam apagadas. Diante do exposto, duas décadas já se passaram e, apesar de o bug ter sido um grande boato, no Brasil, algo pior veio a se manifestar no mundo cibernético: o analfabetismo digital. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e de uma inoperância estatal, emerge um problema complexo, o qual precisa ser revertido.
Diante desse cenário, a baixa qualidade da educação nacional é algo que põe em risco o desenvolvimento nacional. Nesse viés, consoante Immanuel Kant — um dos principais filósofos da era moderna —, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange aos altos índices da falta de letramento virtual, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que não apresenta esses conteúdos nas salas de aulas, o que possibilita a continuação da alienação social na web. Assim, é inadmissível que o Estado se moste indiferente a precariedade da área do ensino em um país que almeja se tornar nação desenvolvida.
Ademais, vale destacar que a falta de empenho governamental é um grave fator para a existência dessa situação calamitosa. Sob esse ângulo, consoante o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico — mas no espiritual. Diante disso, ao se analisar o panorâma nacional, percebe-se que a ideia do Cony se aplica muito bem ao Brasil, uma vez que ele tem uma grande parte da população desprovida de discernimento e de senso crítico, visto que, segundo o jornal inglês The Economist, o país ocupa a 4ª posição no quesito de confiança nas informações compartilhadas na internet — enquanto a Suécia o 62º lugar. Logo, é contraditório que, mesmo sendo uma nação pós-moderna, a ignorância cibernética seja uma realidade nacional.
Infere-se, portanto, que o analfabetismo digital precisa ser combatido na sociedade brasileira. Com isso, o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, amplie a perspicácia dos estudantes, por meio de projetos de iniciação tecnológica, que estimulem os alunos a desenvolver uma maior autocrítica virtual, a fim de desconstruir a passividade do ensino e torná-lo ativo. Por sua vez, o Congresso Nacional precisa melhore o sistema de segurança nacional no meio da on-line, por intermédio de profissionais capacitados, como engenheiros da computação e administradores de TI, com a finalidade de melhorar as posições nacionais nos rankings mundiais. Dessa forma, espera-se extinguir analfabetismo digital no Brasil.