A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Durante A Primavera Árabe, onda de revoltas populares ocorridos no Oriente Médio contra os governos repressivos — a favor de reivindicar melhores condições sociais de vida —, as redes sociais eram utilizadas para organizar as manifestações. Em resposta, os governos desses países bloquearam o acesso à conexão online para a população. Nesse contexto, percebe-se que, a Internet é um importante meio de comunicação, garantida como um direito humano básico. No entanto, tal garantia não se faz presente no atual contexto nacional, uma vez que o analfabetismo digital ainda é uma problemática recorrente. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque garantir o acesso tecnológico para todos os cidadãos brasileiros.
Em primeira análise, tem-se a noção de que a Constituição Federal Brasileira assegura o direito à educação e lazer a todos os cidadãos. Entretanto, visto que a Internet que é a materialização desses recursos, alcança apenas uma parcela da população, é inquestionável a elitização e exclusão da população mais pobre no mundo digital, dado que, para acessar as ferramentas tecnológicas, existe a necessidade de uma quantia monetária, a qual é inviável para as pessoas que não possuem condições economicamente favoráveis. Esse dado pode ser observado no Índice de Gini — medida que classifica o grau de desigualdade entre os países —, onde o Brasil se posiciona entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Dessa forma, é indubitável que o acesso digital não é um recurso democraticamente pleno no país.
Ademais, vale destacar a falta de uma educação formadora no quesito tecnológico nas instituições tradicionais e formais de ensino. Nas palavras do historiador francês Roger Chartier, a escola deve vir a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no espaço digital. Todavia, esse ideal não é concretizado, pois existe a carência de um ensino que desperte o interesse dos estudantes pelo meio eletrônico, assim, a escola contribui para o afastamento desses indivíduos das novas inovações e promove um bloqueio intelectual. Logo, urge que o ambiente escolar prepare adequadamente seus alunos para reverter esse panorama.
Portanto, verifica-se a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre estado, professores, família e a grande mídia, introduzir novos métodos de ensino eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade na questão da tecnologia do país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.