A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/01/2021
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa a questão do analfabetismo digital no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade social de muitos cidadãos. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional do brasileiro.
Em primeira análise, é válido destacar que a displicência estatal colabora com esse cenário. Nesse sentido, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, afirma que sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Entretanto, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados a programas, como a criação de minicursos gratuitos e a propagandas televisivas que orientem a população em como usar a tecnologia à seu favor, para que haja a inclusão da população de baixa renda ao meio digital, já que ,majoritariamente, essa minoria são as mais vulneráveis a esse impasse, são ínfimos. Com isso, sem o devido amparo governamental, muitos indivíduos são limitados a conhecer novas formas de interação e de desenvolvimento social.
Outrossim, o despraparo de algumas instituições de ensino é um fator determinante para a permanência do analfabetismo digital entre a população. Esse panorama lamentável acontece porque, a maioria das escolas, instituições essenciais para a formação de indivíduos engajados socialmente e capaz de discernir e ativar a criticidade, interessa-se, geralmente, apenas pela transmissão de conteúdos técnicos, negligenciando estimular as habilidades em outras áreas do conhecimento, como a educação digital nas escolas e a capacitação continúa de professores nesse meio, com o intuito de que aulas de informáticas sejam inseridas nas grades curriculares. Desse modo, seria possível reduzir os níveis de analfabetismo digital no meio social.
Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação do analfabetismo digital no Brasil. Para tanto, urge que o Estado, por meio de verbas governamentais, invista na criação de minicursos que abordem a questão da educação digital, orientando a população em como se inserir a esse meio e as vantagens de acessar tal ferramenta, com o intuito de que a camada de baixa renda seja inclusa. Ademais, é importante que as escolas, ministrem cursos preparatórios acerca do meio digital para professores, por meio da contratação de engenheiros da computação, com a finalidade de que esse repassamento de informação para os jovens seja eficaz e cursos de informáticas sejam gerenciados nesse âmbito. Assim, tornar-se-á possível o ideal proposto por Nietzsche.