A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Na animação “UP - Altas Aventuras”, produzida pela Pixar, é retratada a intrigante trajetória de Carl Fredricksen, um solitário e antipático senhor que não consegue se adaptar às alterações proporcionadas pelo progresso industrial e tecnológico. Nesse sentido, o idoso, subjugado pelas inovações e com o objetivo de fugir dessa desconfortante realidade, decide viajar pelo mundo em sua própria casa sustentada por balões. Análoga à obra cinematográfica, na contemporaneidade, apesar da internet e suas tecnologias terem surgido com a finalidade de facilitar as interações sociais e o acesso às informações, parcela da população brasileira é atormentada pelo analfabetismo digital. Dessa forma, semelhante ao protagonista da ficção, muitos indivíduos não conseguem lidar com novos mecanismos por questões financeiras, logo, esses são marginalizados.
Em primeira instância, “a tecnologia é responsável por mover o mundo”, segundo o famigerado empresário e fundador da Apple Inc. Steve Jobs, todavia, o acesso à essa ferramenta é restrito a uma camada privilegiada da sociedade. Sob essa perspectiva, por vezes, inúmeras pessoas, devido à intolerável desigualdade social no Brasil, não possuem os dispositivos - de alto custo - necessários para realizar a conexão com o mundo virtual e, também, não detêm conhecimento a respeito desses recursos inovadores.
Por conseguinte, conforme o sociólogo francês Pierre Levy, as inovações propostas pela tecnologia promovem a exclusão digital, ou seja, lamentavelmente, os novos mecanismos eletrônicos, para alguns indivíduos, são inacessíveis. Destarte, a segregação tecnológica compromete a integração virtual, posto que as funções básicas da internet não são efetuadas, assim como as comunicações, as interações e a difusão de notícias e informações.
Em suma, é viável que a incapacidade de lidar com os mecanismos tecnólogos, responsável pela exclusão de inúmeros indivíduos, seja mitigada. Urge, portanto, que o Estado, a fim de minimizar as desigualdades sociais do Brasil e, consequentemente, abolir o analfabetismo digital, auxilie a população carente por meio de subsídios e programas sociais. Desse modo, é indispensável que o Governo Federal crie cotas e bolsas para estudantes e operários, além de valorizar o trabalhador com o aumento do salário e , assim sendo, promover a ampliação do poder de compra desse. De tal forma, pessoas como Carl, personagem mencionado anteriormente, não sofrerão com a segregação digital.