A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o direito à educação a todos os cidadãos brasileiros, observa-se que, na realidade, não há o pleno cumprimento dessa garantia. Isso é afirmado, pois o analfabetismo digital é uma problemática recorrente no Brasil. Esse cenário lamentável é agravado, principalmente, pelos níveis de pobreza no país, bem como pela falta de informação educacional. Dessa forma, medidas cujo objetivo seja modificar esse quadro são cabíveis.

Em primeiro lugar, convém enfatizar que o perfil socioeconômico da população é uma das causas do problema. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - mais conhecido pela sua sigla “IBGE” -, cerca de 25% da população do Brasil se encontra no limite da pobreza. Sob essa perspectiva, é válido afirmar que essa parte dos cidadãos não possui recursos financeiros para adquirir equipamentos tecnológicos, o que resulta em uma impossibilidade de se familiarizar com o espaço digital. Logo, essa conjuntura se apresenta como um agravamento para o analfabetismo nesse âmbito.

Outrossim, é imperativo destacar que a falta de uma formação educadora também se apresenta como um fator que valida a persistência do problema. Segundo os iluministas Diderot e D’Alambert, autores da “Enciclopédia”, a educação é fundamental no combate à alienação da sociedade, além de garantir sua liberdade. Entretanto, tal prerrogativa não se concretiza no Brasil, uma vez que as instituições de ensino não ofertam uma formação que ensine aos alunos o uso responsável e ético das plataformas digitais. Evidência disso, é o fato de que, segundo pesquisa feita pela revista britânica, “The Economist”, o Brasil ficou na 31ª posição no quesito que avalia o preparo dos indivíduos para o uso da internet. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente o corpo discente, o problema do analfabetismo digital perdurará sobre o país.

Portanto, considerando os aspectos supracitados, é mister que o Estado elabore políticas que busquem combater o problema em questão. Isso pode ser feito por meio de parcerias com o Ministério da Educação que, por sua vez, deverá inserir, na grade curricular de nível básico, disciplinas de tecnologia a fim de ensinar ao corpo discente como lidar com o meio digital de forma ética, responsável e construtiva. Dessa forma, será possível combater, de forma eficaz, e diminuir o nível de analfabetismo digital a nível nacional.