A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

O escritor inglês Thomas More, em sua obra “Utopia”, retrata uma sociedade perfeita, padronizada pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o analfabetismo digital no Brasil tem se tornado um impasse, o qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da baixa qualidade do ensino básico brasileiro, quanto do escasso incentivo à leitura. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento do corpo social.

Cabe mencionar, em primeira instância, o defasado ensino básico do Brasil como ponto relevante à temática. Conforme o filósofo estoico Sêneca, a educação deve ser tratada com maior atenção, pois ela influi sobre toda a vida. Quanto a isso, sabe-se que a escola deve ser um ambiente de aprendizagem e preparação do indivíduo para vários aspectos da vida. Porém, isso não tem ocorrido, tendo em vista o baixo desempenho na utilização dos meios tecnológicos por uma parte da população, o que configura um quadro de analfabetismo digital. Nesse contexto, conforme dados do relatório anual “The Inclusive Internet Index”, o Brasil, dentre 100 países, ocupa a 66ª posição no ranking de nível de preparo e educação digital. Dessa forma, é urgente uma maior atuação do serviço público na área da educação para que esse quadro seja amenizado.

Ademais, a falta de estímulo à leitura é outro fator que contribui para a perpetuação do problema. Nesse sentido, embora a leitura seja uma importante ferramenta na formação do senso crítico, infelizmente, essa prática ainda é pouco incentivada, pois não é apresentada de maneira atrativa nas escolas, o que gera um desinteresse por esse hábito nos indivíduos. De acordo com a revista O Globo, o brasileiro lê, em média, apenas quatro livros por ano. Esse comportamento faz com que a capacidade de analisar informações criticamente não seja desenvolvida de forma eficaz, de modo que esse problema acaba sendo refletido nos meios digitais.

Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para a resolução do obstáculo. Dessa maneira, o Estado deve investir na melhoria do ensino básico, através da construção de mais laboratórios de informática, além da promoção de uma maior capacitação do corpo docente, a fim tornar a tecnologia acessível desde a infância e formar indivíduos alfabetizados em todos os aspectos. Outrossim, a Escola, mediante a atuação do Ministério da Educação, deve incentivar a prática da leitura, por meio da promoção de feiras do livro, com intuito de tornar essa prática mais atrativa, fazendo, assim, com que os estudantes tenham mais facilidade em interpretar informações tanto no meio real, como no digital. Com isso, o analfabetismo digital será reduzido e a coletividade se assemelhará à Utopia de More.