A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) assegura a todos os seres humanos o direito à informação. Na esteira desse processo, o analfabetismo digital fere diretamente o acesso aos direitos intelectuais e, consequentemente, a garantia dessa prerrogativa social. Nesse sentido, as consequências ocasionadas por essa problemática aumentam exponencialmente a exclusão digital da população, gerando, assim, obstáculos para o desenvolvimento social e inclusivo do país.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que a desigualdade social existente no Brasil é uma grande aliada no aumento do analfabetismo digital, pois, devido a essa condição, é impedido o acesso à tecnologia. Nesse viés, de acordo com o especialista Mark Ribble, um dos pilares basilares para a formação de uma cidadania digital é a alfabetização dos indivíduos nesse ambiente, capacitando-os no uso correto dessa tecnologia. Assim, dados do IBGE mostram que mais de 46 milhões de brasileiros que não tem acesso a internet são impedidos de usufruir dessa formação cidadã. Logo, tais fatos configuram-se como barreira rumo ao exercício da cidadania no ambiente virtual.
Nessa perspectiva, a terra verde e amarela carrega em seu bojo as sequelas desse estigma. Segundo o sociólogo Pierry Levy, é nítido que o analfabetismo digital, além de contribuir para a desigualdade existente, acentuam a disparidade tecnológica e dificulta o acesso ao conhecimento. Ademais, os indivíduos excluídos da sociedade digital são colocados à margem do mercado de trabalho e das exigências da vida atual, uma vez que a capacidade de domínio dessas ferramentas é um fator decisivo. Sendo assim, torna-se evidente que o país tem um longo caminho a percorrer em direção ao avanço da cidadania.
Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater essa problemática social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Educação reformular as bases curriculares, colocando a disciplina de educação digital em todos os níveis de ensino, mas, principalmente, no ensino básico, fazendo com que a alfabetização digital aconteça desde a infância e que possa ser, de fato, construída para todos. Além disso, é essencial que as Escolas façam projetos sociais voltados para população com o intuito de agregar conhecimento dessas ferramentas digitais a toda comunidade e, assim, diminuir as desigualdades existentes. Feito isso, o direito à informação assegurado pelo DUDH será uma realidade.