A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
A Revolução Técnico-Científica-Informacional iniciou-se no século XX e marcou o início da “Era da Informação”. Seu advento, transformou as conjunturas econômicas e sociais através do aprimoramento de tecnologias da informação e da comunicação. Nesse aspecto, o conceito de “Cibercultura”, postulado pelo filosofo Pierre Lévy, revela que, os meios digitais e a própria internet, estão intimamente ligados à sociedade atual. Entretanto, contrariamente à isso, o que se nota, nesse país, é um distanciamento entre sociedade e tecnologia, visto que, devido ao analfabetismo digital, em questão no Brasil, parcela dessa população é impedida de usufruir desses mecanismos, o que gera, portanto, um quadro de exclusão digital e social que precisa ser combatido.
A princípio, na “Opressão Simbólica”, do qual trata o sociólogo Pierre de Bourdieu, a violação dos direitos humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de conjunturas que atentam contra a inclusão humana ou de um grupo social. Nesse sentido, nota-se que a sociedade brasileira, decerto, tem ido de encontro ao postulado sociológico, visto que, devido a falta de mobilidade de órgãos governamentais, no que tange à criação de planos de ensino e de letramento digital, de caráter inclusivo, cria-se um cenário de perpetuação dessa exclusão, em que o indivíduo tem o seu direito e a sua cidadania comprometidos.
Adicionalmente, é válido destacar que, no ano de 2014, a Organização das Nações Unidas, declara, que o acesso à internet é um direito humano do século XXI, impondo-se ao Estado e ao Poder Público, o encargo de assegurar esse direito. O que se nota, no entanto, na realidade brasileira, é a inoperância desse Governo, haja vista a falta de iniciativas para promover a familiaridade da população com elementos pertencentes às tecnologias digitais, além da ausência de ferramentas e mecanismos com vistas a democratizar o domínio de técnicas e habilidades para acessar, interagir, processar e desenvolver múltiplas competências na leitura das mais variadas mídias.
A fim de interromper a perpetuação dessa conjuntura excludente, portanto, urge que membros do Ministéro da Educação, como professores de informática e tutores, juntamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, elaborem cursos gratuitos de cárater instrucional através da produção de livros e apostilas didáticos sobre educação digital e tecnológica. É primordial, ainda, que nessas apostilas, contenham imagens e legendas, de modo a tornar a compreensão ainda mais acessível e como efeito, aprimorar o letramento digital e diminuir as disparidades sociais provocadas pela exclusão cognitiva da esfera tecnológica. Somente assim, diminuir-se-á a violência simbólica sofrida por essa parcela social e o ambiente digital tornar-se-á mais justo acessível e democrático.