A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, iniciada no século XX, proporcionou uma grande mudança no contexto social mundial, a partir da internet, principalmente no que diz respeito à comunicação interpessoal, ao trabalho e ao acesso a informações. No entanto, embora essa alteração tenha sido de extrema importância por possibilitar uma maior acessibilidade e uma rápida globalização de ideias, pensamentos e produtos, observa-se, no Brasil, um grande contraste, afinal, o índice de analfabetismo digital no país é enorme. Dessa maneira, os cidadãos que não sabem utilizar a internet, acabam sendo excluído socialmente e tornando-se, por muitas vezes, alienados.

Em primeiro plano, é imprescindível destacar que, de acordo com a ONU, a Organização das Nações Unidas, a internet deve ser encarada como um direito humano, sendo assim, é papel do Estado assegurá-la a todos os cidadãos. Porém, sabe-se que na prática, isso não acontece, o que promove uma redução social no país, afinal, uma conectividade no contexto hodierno é de suma importância. Nesse espectro, os indivíduos que não a dominam, seja por motivos de carência financeira ou de conhecimentos prévios acerca da tecnologia acabam sendo colocados às margens da sociedade.

Em segundo plano, é indiscutível o fato de que a exclusão digital promove a alienação social. Segundo o filósofo e sociólogo francês, Pierre Lévy, em sua obra “Cibercultura”, no contexto moderno, o acesso a informações e oportunidades ocorridas, prioritariamente, no meio virtual, constituindo assim, uma cultura de conectividade. Dessa maneira, torna-se impossível desvincular o real do virtual e os que não sabem ou não podem usar dessa ferramenta, a internet, acabam alienados.

A partir dos argumentos supracitados, urge-se a necessidade de adoção de medidas que visem garantir o direito à internet, previsto pela ONU, assim como o combate ao analfabetismo digital.Para tal, cabe ao MEC, Ministério da Educação, uma formação dos docentes para lidar com as mídias sociais nas escolas e, a posteriori, a implementação de aulas que visem inserir os discentes no contexto da conectividade. Para a realização dessas aulas, se faz necessária a instalação e manutenção de laboratórios de informática pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações, promovendo assim, um acesso universal à cibercultura, como proposto por Pierre Lévy.