A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou, em 2014, que o acesso à internet é um Direito Humano do século XXI. A realidade em voga no Brasil, entretanto, não é essa, haja vista que diversos brasileiros não possuem letramento digital. Esse problema tem relação direta com as altas taxas de desigualdade socioeconômica no país e com a negligência estatal com a parcela da população que não sabe utilizar os meios tecnológicos.
Frente a esse contexto, cabe pontuar a injusta discrepância social e econômica na sociedade brasileira como um dos principais desafios atrelados ao analfabetismo computacional. De acordo com pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet em 2015, cerca de 97% dos indivíduos de classe alta em idade escolar têm acesso à internet, porém, o número reduz para 51% nas classes mais baixas - D e E. Nesse contexto, é evidente que a alarmante diferença de tais dados percentuais ocorre devido às diversas complicações concatenadas à pobreza, visto que a maioria não tem condições financeiras de pagar planos de internet ou aparelhos eletrônicos. Todavia, a utilização das redes é de extrema importância atualmente e, portanto, é imperioso que o impasse seja solucionado.
Ademais, percebe-se a omissão do Estado como outro empecilho para o pleno letramento digital no Brasil. Segundo o conceito filosófico de cibercultura, exposto pelo francês Pierre Lévy, um dos efeitos dos avanços da internet é o surgimento de novos costumes. O processo de pagar boletos bancários e enviar documentos são exemplos disso e tornam as ações mais rápidas e simples, uma vez que podem ser feitas inteiramente por aplicativos no celular. No entanto, apesar de essas inovações serem positivas para muitos brasileiros, uma parte siginificativa destes não é apta ao exercício dos novos costumes da sociedade tecnológicamente conectada, já que nunca lhes fora ensinado como usufruir integralmente dos mecanismos em escolas e universidades. Desse modo, lê-se como ameaça aos direitos dos cidadãos brasileiros o descaso estatal quanto a necessidade da alfabetização digital.
Dessa maneira, cabe às autoridades federais promover mudanças para solucionar a falta de conhecimento computacional. O Governo Federal, em conjunto ao Ministério da Educação - órgão responável por todo o sistema de ensino no Brasil -, deve, por meio da inserção obrigatória de aulas de educação digital nas grades curriculares, assegurar que os alunos de instituições públicas e privadas saibam como utilizar telefones e computadores. Tal ação tem a finalidade de alcançar o maior número de brasileiros digitalmente inseridos e, por conseguinte, a redução da taxa de desigualdade socioeconômica, posto que, na era da tecnologia, conhecer os mecanismos digitais é essencial. Assim, o país não mais infringirá os Direitos Humanos propostos pela ONU.