A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A obra “Utopia”, do filósofo Thomas More, retrata uma sociedade perfeita na qual um corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. Entretanto, no que diz respeito ao cenário nacional, a tese do autor mantem-se apenas no plano literário, haja vista que  o analfabetismo digital é um entrave na vida de parte da população brasileira. Nesse sentido, cabe analisar que o descaso do poder estatal e a pouca abordagem desse assunto atuam como catalisadores no avanço dessa problemática.

Em primeiro plano, é importante destacar que a omissão governamental inviabiliza a construção de uma educação digital. Partindo desse viés, a Constituição Federal, promulgada em 1988, defende que o Estado é responsável por promover a qualificação científica e tecnológica e inovação aos cidadãos. Contudo, infelizmente, a premissa constitucional configura-se desfeita no campo educacional, uma vez que, seja pela escassez de aulas de informática, seja pela presença de professores mal habilitados, a capacitação contínua não é uma realidade brasileira. Desse modo, o desenvolvimento da cidadania digital é prejudicada, posto que os agentes responsáveis ainda andam de contramão dos processos que visam a democratização total do conhecimento tecnológico.

Ademais, vale ressaltar que a escassa exibição dessa conjuntura contribui para a não alfabetização no meio cibernético.Sob tal ótica, durante a Revolução Francesa, as mídias de comunicação auxiliaram na disseminação dos ideais iluministas e contribuíram para a mudança política e social da época. Entretanto, hodiernamente, quase sempre, a mídia negligencia o debate a respeito da ausência da educação tecnológica, o que faz com esse descaso não seja notificado e melhorado. Sendo assim, é visível que a insuficiente abordagem midiática sobre a divergência entre o mundo virtual e o indivíduo proporciona a perpetuação desse dilema, posto que sem a mobilização de diversos setores o progresso social é dificultado.

Infere-se, portanto, a importância de ações promissoras que contribuam na difusão do conhecimento digital. A priori, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, responsável pela formulação de políticas tecnológicas, junto às escolas, criar projetos focados na expansão da instrução tecnico-científica-por meio de uma mudança na grade curricular com a adoção de cursos de informática com docentes especializados, disponíveis para todos os públicos- a fim de instruir qualquer pessoa que tenha deconhecimento sobre a utilização correta dos meios virtuais e reduzir esse abismo a respeito da alfabetização digital. Além disso, a mídia deve apresentar reportagens, as quais demonstram a carência desse tipo de ensino no Brasil. Com isso, se tais medidas forem postas em prática, a premissa jurídica será uma realidade aos brasileiros.