A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Durante a Idade Média, a educação era restrita e lecionada em ambientes conhecidos como mosteiros, nos quais apenas algumas pessoas tinham acesso às escrituras, o que as possibilitava aprimorar suas habilidades comunicativas e críticas. Hodiernamente, de maneira similar, o crescimento da influência tecnológica fez com que o mundo digital se tornasse um dos pricipais meios educativos e de interação social. Contudo, com uma educação digital restrita a pequenos grupos, as grandes massas são vítimas das consequências do analfabetismo digital, que incluem desde a falta de discernimento diante das informações compartilhadas até a exposição e falta de segurança nas redes digitais.

Em primeiro plano, é válido destacar que a escassez de pensamento critico tem relação direta com o compartilhamento e credibilidade a falsas informações na internet. Segundo o filósofo Immanuel Kant, no conceito que postulou como menoridade, os indivíduos que não desenvolvem o próprio discernimento não conseguem pensar ou raciocinar sem a tutela de outrem. Dessa forma, aqueles que não foram instruídos sobre os perigos da esfera digital e a importância de diferenciar o que ou não verdadeiro, acabam sendo vítimas de golpes, propagação de fake news e manipulações de ordem cibernética.

Outrossim, a falta de conhecimento sobre o funcionmento da segurança de dados online faz com que ataques virtuais sejam cada vez mais recorrentes. De acordo com o modelo panóptico conceituado por Foucault, filósofo francês, a sociedade está inserida em uma estrutura complexa caracterizada pela vigilância constante sobre os atos cometidos, o que se aplica aos sites e redes sociais vigentes. Assim sendo, sem ter conhecimento digital sobre a exposição online, pessoas estão cada vez mais suceptíveis à violação de suas liberdades individuais, haja vista os ataques frequentes de hackers.

Com base nessa perspectiva, o analfabetismo digital deve ser combatido de forma a empoderar com conhecimento os usuários dos meios tecnológicos. Primordialmente, o Ministério da Educação e Cultura, em parceria com instituições de ensino e ONGs, deve promover aulas e cursos práticos sobre o uso da internet, feitos em computadores com acompanhamento de tutores, a fim de ressaltar a importância do cuidado e discernimento na esfera digital. Além disso, o Poder Legislativo, em conjunto com profissionais de TI ( Tecnologia de informação), devem elaborar leis mais rígidas para punição de ataques cibernéticos, a fim de aprimorar a proteção de dados. Com isso, o conhecimento digital contemplará a democracia, divergindo dos mosteiros medievais.