A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O quadro expressionista “O grito”, de Edvard Munch, retrata um indivíduo em estado de espantamento diante de um contexto social. Tem-se essa mesma sensação ao analisar uma situação do analfabetismo digital no Brasil, visto que é incoerente pensar que uma nação industrializada ainda enfrenta problemas como a ignorância populacional frente às novas tecnologias. Esse cenário antagônico é fruto tanto de uma educação deficiente, quanto das desigualdades socioeconômicas existentes no país.
A princípio, cabe ressaltar que o modelo de ensino tradicional brasileiro limita a aprendizagem dos alunos no que concerne à aquisição de conhecimento que transcende as matérias escolares. Segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação nacional é tecnicista e o seu currículo é engessado. Nessa perspectiva, observa-se que, mesmo diante da ascensão da tecnologia, muitas escolas ainda exibem-se contrárias ao uso de aparelho eletrônico na sua rotina de atividades, o que denuncia um modelo rígido e inflexível. O aluno, por sua vez, perde a oportunidade de aprender a manipular tais ferramentas, o que gera desconhecimento e uso avançado. Tudo isso ratifica a ideia de que a escola, ao passo que não abre o espaço para o novo, torna-se responsável pelo analfabetismo digital.
Ademais, a desigualdade socioeconômica existente no país é uma impulsionadora do problema. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, 10% da população detêm 43% de toda renda nacional. Diante disso, verifica-se uma distribuição assimétrica de recursos e, consequentemente, parte dos proprietários possui renda inferior à necessária para a aquisição de dispositivos digitais. Desse modo, entende-se que várias pessoas não têm acesso a celulares e internet, por exemplo, gerando afastamento de seus benefícios e funcionalidades. Assim, o estranhamento e a ignorância frente ao mundo digitalizado só aumentam.
Infere-se, portanto, a necessidade de criar alternativas para solucionar o problema do analfabetismo digital no Brasil. Em vista disso, o Ministério da Educação - órgão estatal brasileiro responsável por este setor - deve criar um projeto de educação digital, o qual, por meio da implementação de disciplinas escolares, discuta o uso das tecnologias, bem como a manipulação de aparelhos eletrônicos e sua funcionalidade na formação acadêmica e pessoal. Tudo isso com o objetivo de formar os cidadãos mais familiarizados com o mundo digital. Além disso, o Estado deve melhorar as condições de acesso à tecnologia, Mediante pagamento gratuito para uma população de baixa renda. Somente assim, a pintura “o grito” seria apenas uma representação do contexto social do século passado.