A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Funcionando conforme a primeira lei de Newton, a Lei da Inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele mudando de percurso, a questão do analfabetismo digital no Brasil é um problema. Com isso, ao invés de agir como a força capaz de mudar esse movimento, a falta de contato digital no âmbito escolar e a desigualdade social, que dificulta o acesso tecnológico de muitos cidadãos, contribuem para que esse movimento permaneça de forma errônea. Como consequência disso, há um aumento nos números de crimes cibernéticos.

É relevante abordar, primeiramente, que um dos fatores para que esse problema continue é a falta de contato digital no ambiente escolar. Sob esse pensamento, o filósofo Immanuel Kant defende a teoria de que o homem é resultado da educação que teve. Sendo assim, ao não terem uma educação digital, os cidadãos crescem sem resultado positivo, sem domínio básico de tal método tecnológico, sendo vítimas dos crimes cibernéticos, como roubo de informações pessoais, contas bancária e afins. Como prova disso, o Superior Tribunal de Justiça admitiu que a cibersegurança brasileira é ineficiente, uma vez que muitos usuários não possuem educação digital.

Ademais, outro agente que fomenta para que esse movimento permaneça de maneira errada é a desigualdade social, dificultando o acesso de muitas pessoas ao ao meio virtual. Conforme rege a Constituição de 1988, o Estado deve garantir a educação da população. Todavia, não há o pleno exercício dessa lei, já que grande parte das famílias de baixa renda não possuem acesso ao mundo digital devido a condição financeira, a consequência disso é a exclusão dessa parcela social quando se diz respeito ao eixo tecnológico. Nessa linha de pensamento, o sociólogo John Locke diz que há uma quebra do contrato social, já que o Estado não cumpriu seu papel de garantir que a população desfrute do direito constitucional de 1988. Logo, é inquestionável o papel da falta de convívio tecnológico em ambiente escolar e a desigualdade social quando se fala da questão do analfabetismo digital no Brasil, trazendo consequências como crimes cibernéticos e exclusão digital de grande parte da população.

Evidencia-se, portanto, que essa problemática continua no mesmo caminho, impactando na vida de muitos cidadãos. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação incluir a informática como matéria escolar obrigatória, com a ajuda de aulas práticas, os professores devem ensinar os alunos o básico e intermediário sobre o uso tecnológico, como proteção de dados e informações pessoais, a fim de que os jovens aprendam desde cedo a utilizar o campo digital corretamente e que famílias de baixa renda também tenham acesso. Somente assim, o percurso citado por Newton seria mudado.