A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente. Assim, para que essa entidade se mantenha harmônica, é necessário que os direitos dos cidadãos sejam assegurados. Nesse viés, visto que, as tecnologias digitais configuram, hodiernamente, fontes eficazes e versáteis de obtenção de conhecimento, a privação dos indivíduos a esse meio subverte essa conjuntura. Em suma, a indolência estatal tende a agravar a mazela do analfabetismo digital no Brasil.

Precipuamente, segundo o escritor americano John Nasbitt, “a nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas a informação nas mãos de muitos”. Nesse viés, nota-se o papel emancipatório dos recursos digitais uma vez que estes possibilitam, sobretudo em meio aos estratos sociais mais desabastados, o acesso aos mais variados tipos de conteúdo, sejam de cunho jornalístico, sejam de cunho educacional. Desse modo, empecilhos à utilização da internet pela população, por exemplo, acaba por perenizar o óbice da desinformação no Brasil.

Faz-se mister, ainda, salientar a desídia governamental como impulsionadora do problema. Conforme o artigo 3 da Carta Magna de 1988, é incumbência do Estado assegurar uma sociedade livre e justa, atestando o desenvolvimento nacional. Nessa perspectiva, a falta de incentivos do poder público ao uso dos meios de comunicação digitais é uma afronta aos direitos dos cidadãos, que têm na assegurada na lei essa prerrogativa. Sob tal ótica, essa realidade ultraja o que segundo o iluminista John Locke são direitos inalienáveis dos homens, a vida e a liberdade.

Portanto, é fulcral uma tomada de medidas que solucionem esse impasse. Assim, cabe ao Ministério Público Federal, por intermédio de parcerias público-privadas, o fornecimento de artifícios, tais como aparelhos celulares e acesso à internet, às classes mais carentes. Destarte, pode-se fomentar o uso dessas tecnologias e a inserção dessa parcela popular no mundo digital. Ademais, como dito pelo economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas o ensino da utilização desses meios de comunicação, a fim de permitir que a sociedade, de fato, funcione como o modelo de Durkheim.