A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o aumento no índice de analfabetismo digital no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Nesse contexto, a ineficiência estatal somada a falta de incetivo à educação digital contribuem diretamente para a permanência dessa problemática.
Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a inexistência de medidas governamentais para combater o analfabetismo digital. Diante de tal exposto, é evidente que o aumento no número de casos de cibercrimes, principalmente aqueles que afetaram o Supremo Tribunal da Justiça (STF), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Saúde, coloca em questão a situação atual da cibersegurança brasileira. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem dos direitos indispensáveis, como segurança digital.
Ademais, é fulcral salientar que o avanço tecnológico no Brasil não veio concomitante a um planejamento de educação digital para os cidadãos. De acordo com o filósofo Pierre Levy, “toda tecnologia cria seus excluídos”, ou seja, a utilização de meios que necessitam de um conhecimento tecnológico está cada vez mais presente no país, entretanto, grande parte da população não sabe utilizar adequadamente. Isso é perceptível, por exemplo, no elevado número de pessoas nas filas dos bancos para receber o auxílio emergencial do governo, visto que esse processo era realizado por um aplicativo no celular e muitos cidadãos não sabem utilizar de forma correta. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a pendurar.
Portanto, a questão do analfabetismo digital é um desafio para a sociedade brasileira que requer a criação de políticas públicas. Para tanto é imprescindível que o governo – entidade máxima do poder – invista em projetos de educação digital para os cidadãos tanto para crianças e adolescentes nas escolas públicas, quanto para adultos e idosos. Tal ação deve ser executada por meio do Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com a utilização de cursos de informática gratuitos, a fim de reduzir o número de pessoas que não sabem utilizar a tecnologia e incentivar, desde cedo, o ensino nos colégios. Somente assim, será possível acabar com o analfabetismo digital no país.