A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A “Revolução Científica Informacional” trouxe consigo a disseminação de novas formas de tecnologia. Contudo, tal aspecto não ocorreu de maneira homogênea para todos os cidadãos e, hoje, o analfabetismo digital consolida uma grave problemática do século XXI. Assim, faz-se preciso compreender como as disparidades sociais e a ineficácia governamental em contingenciar esse problema acarretam prejuízos para a formação dos cidadãos.
Sob essa ótica, é fundamental entender como as diferenças econômicas acentuam essa questão.
Nesse contexto, o uso das tecnologias em famílias de classes D e E - mais baixas economicamente - acaba, muitas vezes, sendo deixado em segundo plano, uma vez que a aplicabilidade de recursos midiáticos para lazer ou informação, devido aos altos preços, torna-se inacessível. Além disso, a falta de investimento governamental para a construção de laboratórios de informática e a contratação de profissionais capacitados intensifica a conjuntura atual, pois, dessa forma, muitos indivíduos que não possuem acesso em casa se veem longe de um importante meio informacional para o seu desenvolvimento. Logo, é nítido que essa situação intensifica as desigualdades sociais em um país.
À vista disso, conforme o sociólogo Erving Goffman, “Um indivíduo que não segue o padrão vigente tende a ser estigmatizado”. Assim sendo, pessoas que não sabem lidar com essas novas tecnologias, ou que se encontram à margem delas podem se sentir inferiores e excluídas da sociedade. Ademais, elas passam a estar à parte do progresso nacional devido à falta de qualificação tecnológica necessária para o alcance de cargos mais altos, o que acirra ainda mais as disparidades econômicas entre as camadas populacionais. Isso posto, é evidente que a ineficácia em garantir o pressuposto de igualdade para todos, previsto no Art.5 da Carta Magna, dificulta a melhoria da qualidade de vida da comunidade, situação que afeta diretamente o “Índice de Desenvolvimento Humano” da pátria e a impede de sair da condição de subdesenvolvimento.
Destarte, é notória a necessidade de medidas que solucionem o contexto atual. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Economia, disponibilizar parte da verba do Plano de Diretrizes Nacionais para a melhoria da infraestrutura informacional na rede de escolas públicas. Diante do exposto, esse ato será realizado pela compra e distribuição de equipamentos para escolas e alunos necessitados, tal como por meio da contratação de professores e monitores para o fornecimento de auxílio, com o fito de romper com as disparidades atuais e assegurar o direito de alfabetização tecnológica. Com esses feitos, será possível usufruir do progresso tecnológico de maneira igualitária na sociedade.