A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Cazuza, cantor carioca, diz em sua música “O Tempo Não Para” a seguinte frase: eu vejo o futuro repetir o passado. Fora do cenário musical, esse verso do compositor se torna verdadeiro, posto que desde o processo colonial brasileiro a alfabetização era restrita à uma pequena parcela da população e a problemática persiste até os dias atuais, entretanto na contemporaneidade com as grandes revoluções virtuais o analfabetismo digital é recorrente no Brasil. Isso ocorre em função da desigualdade social, seja por causa da educação deficitária sobre os meios tecnológicos. Diante disso, faz-se necessário medidas interventivas para conter a questão.
Cabe pontuar, de início, que o Brasil é um dos países mais desiguais do planeta, e esse desequilíbrio afeta o desenvolvimento digital do País. Consoante, o artigo quinto da Constituição Federal brasileira todos os cidadãos possuem o direito inviolável à igualdade. Embora, esse seja um direito assegurado na Carta Magna não é a realidade de grande parte do corpo social brasileiro, visto que a pesquisa TIC Domicílios 2019 apontou que 26% da população do País permanece desconectada dos meios sociais virtuais, assim sendo um fator dificultante para o desenvolvimento tecnológico da nação. Desse modo, parte da sociedade fica restrita à expansão digital devido à sua condição financeira, o que agrava a problemática.
Além disso, o Poder Público não investe suficientemente na educação digital dos cidadãos brasileiros. Conforme, o filósofo prussiano, Immanuel Kant “É no problema da educação que se assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Dessa forma, é notório a necessidade de medidas educativas para amenizar o imbróglio, posto que com o analfabetismo digital os crimes virtuais e a propagação de “fake news” acontecem com mais facilidade, isso porque diversas pessoas não sabem verificar a veracidade das notícias perpetuadas nos meios virtuais. Dessa maneira, enquanto a educação básica do país não proporcionar o ensino sobre os meios tecnológicos será propagado o entrave.
Portanto, fica evidente a necessidade de ações interventivas para mitigar o analfabetismo digital no Brasil. Assim, o Poder Estatal deve investir em políticas públicas que democratizem o acesso à internete, com o fito de diminuir a disparidade social. Ademais, o Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas nacionais educativas - deve instituir o ensino acerca da utilização dos meios virtuais nas escolas, por meio de aulas teóricas e práticas, com o intuito de educar a população sobre o assunto e, assim, formar uma geração livre do analfabetismo digital. Somente assim, a realidade mencionada por Cazuza em “O Tempo Não Para” não fará parte do cotidiano do país.