A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
O sociólogo Karl Marx postulava que o sistema econômico controla as normas sociais. O capitalismo prioriza o ganho de capital, e, assim, eleva as classes bem favorecidas, ao mesmo tempo que dificilmente dá oportunidades de ascensão social. Desse modo, é notório, no hodierno brasileiro, que as disparidades socioeconômicas dificultam o acesso à bens materiais, principalmente teconologias, criando um contingente de analfabetos digitais que não sabem utilizar de meios tecnológicos. E, além da falta de oportunidades, a sociedade não tem educação sobre o mundo digital, sendo suscetíveis a golpes e manipulações.
Convém ressaltar, a princípio, que as desigualdades sociais são um fator expressivo para o aumento de analfabetos digitais no Brasil. Na promulgação da Constituição Federal de 1988, o ex-deputado Ulysses Guimarães afirmou que ela seria um grande avanço rumo à mudança e igualdade. No entanto, tal máxima não se mostrou efetiva, visto que as disparidades econômicas continuam altas em diversos âmbitos, principalmente no que tange ao acesso de meios digitais, as pessoas menos favorecidas não tem o capital para adquirir tecnologias, pois seu foco de vida está em encontrar meios de sobreviver. Isso configura um quadro de desvalorização social e descaso governamental.
Ademais, a educação digital precária piora a condição dos analfabetos digitais brasileiros. O filósofo Francis Bacon afirmava que “conhecimento é poder”, portanto, os homens que detém do conhecimento de mídias, utilizam-o para aplicar golpes para benefício próprio. Em detrimento a isso, os que não tem acesso a educação de qualidade sobre o meio digital e o uso saudável de tecnologias são suscetíveis à manipulações midiáticas, como também à ações de pessoas má intencionadas. Assim, é notório a necessidade de melhorias educacionais para toda a sociedade.
Logo, a fim de que o número de analfabetos digitais no Brasil dimiua drasticamente, urge ao Estado o financiamento de políticas públicas que disponibilizarão celulares e tablets para pessoas que não têm esses materias, em aulas de baixo ou nenhum custo, objetivando o ensino básico de mídias digitais. Além disso, é mister que o Ministério da Educação providencie o ensino, nas escolas, da identificação de golpes, e o modo correto do uso de tecnologias, ministradas por profissinais capacitados, e, dessa forma, o uso será correto e consciente. À vista disso, o contingente de analfabetos digitais diminuirá e a sociedade saberá usar a internet de forma eficaz.