A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/01/2021
A obra ‘‘O Pensador’’, do escultor francês Auguste Rodin, mostra um homem curvado sobre si mesmo, absorto em um processo de profunda reflexão. No entanto, essa postura simbolizada na escultura não representada a sociedade, no que tange ao analfabetismo digital no Brasil, já que é justamente a falta da reflexão acerca dessa vicissitude que a aprofunda e a enraiza como problemática no espectro social. Nesse sentido, é evidente que essa situação tem origem na mentalidade capitalista que prioriza o lucro em detrimento à inclusão coletiva no meio digital. Assim, entre os fatores que aprofundam essa realidade estão a educação tecnicista e a invisibilidade midiática.
Constata-se, a princípio, que a educação prioritariamente técnica, embasada em uma lógica mercadológica, consolida claramente o analfabetismo digital no Brasil. Isso se deve ao fato de que as escolas, alicerçadas em uma lógica de preparação que prioriza a grade curricular mínima, não aborda a educação tecnológica como uma forma de inclusão do cidadão no meio digital. Consequentemente, há um recorrente aumento do analfabetismo digital no Brasil, haja vista que as pessoas não têm a mínima instrução necessária para se incluir nesse meio virtual. Ilustra-se esse panorama por meio do índice de pessoas que não conseguem empregos por não saberem utilizar o meio virtual, sendo marginalizadas.
Ademais, fica claro que a invisibilidade midiática, em conjunto ao pensamento que visa exclusivamente ao capital, enrijece o espectro de indivíduos que são excluídos do meio digital no Brasil. Isso ocorre, pois a mídia é controlada por empresas que a utiliza como meio de persuasão. Dessa forma, a temática do analfabetismo digital torna-se invisível, nesse meio informacional, solidificando a permanência desse quadro antidemocrático no país. Esse pensamento é análago ao apresentado pelo filósofo contemporâneo Michel Foucault, em sua teoria ‘‘Microfísica do Poder’’, em que aborda a permanência do controle social por meio de estruturas cristalizadas no país, tendo em vista que é exatamente a solidificação desse poder que impede que o analfabetismo digital seja cessado no país.
Pode-se inferir, portanto, que a permanência do analfabetismo digital no Brasil é fruto inegável da mentalidade capitalista. Para solucionar essa problemática, o Governo Federal deve atuar por meio do Plano Nacional de Combate ao Analfabetismo Digital que irá propor ao Congresso a elaboração de leis que incluam na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), de nível fundamental e médio, projetos interativos tecnológicos, por meio de profissionais qualificados em informática, para que instruam os indivíduos nesse meio digital essencial para a inclusão do cidadão. Além disso, o Plano deve, em parceria com as empresas midiáticas, divulgar, nos horários de maior engajamento, instruções sobre o meio digital, a fim de que as pessoas consigam acessá-lo. Logo, o país atingirá a obra ‘‘O Pensador’’.