A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito a inclusão digital como inerente a qualquer cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se retumbado na prática quando de observa a presença do analfabetismo digital no Brasil, o que dificulta a iniversalização desse direito social. Essa realidade se deve, essencialmente, a uma omissão estatal frente ao quadro, bem como de um preconceito enraizado em sociedade sobre o analfabetismo.

Em primeiro plano, pode-se destacar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de conhecimento do uso da internet. Nesse ínterim, consoante Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse ideal encontra-se deturpado no Brasil, visto que o acesso a internet não é democratizado em todas as regiões do país e as escolas não possuem uma educação digital de qualidade, uma vez que não dispõem de laboratórios de informática, bibliotecas precárias e os profissionais não são qualificados para o ensino digital. Dessa forma, devido as indiligências estatais, partes dos indivíduos são impedidos de ser inclusos digitalmente na sociedade, o que resulta em uma formação educacional incompleta, fato que, consequentemente, agrava o entrave social.

Outrossim, é preciso destacar a falta de empatia como um dos fatores que validam a persistência da problemática. A esse respeito, segundo Mário Sérgio Cortella, grande filósofo contemporâneo, a nação brasileira é tão preconceituosa que o usa o termo “analfabeto” como ofensa. Nesse sentido, essa ação é um crime social, uma vez que é indicado cruelmente ao próximo, de modo a ser responsabilidade exclusiva dele. Dessa forma, enquanto parcela da população que é privilegiada for tão preconceituosa ao ponto de insultar o outro de tal maneira, mais jovens e adultos, que têm a oportunidade de voltar a estudar, irão hesitar por tamanha rejeição.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o exposto. Acerca disso, o Governo Federal deve, por meio de verbas governamentais, disponibilizar redes de internet em todas as regiões do país e investir nos centros de ensino, adquirindo computadores para os laboratórios, construindo bibliotecas modernas e oferecer cursos digitais profissionalizantes aos profissionais da educação, com objetivo de garantir a completa educação digital dos discentes, a fim de evitar o retrocesso de partes da população e combater o analfabetismo. Ademais, urge ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), por intermédio do amplo debate entre famílias, Estado e professores criar novos métodos de ensino eficazes, com o intuito de transformar a educação brasileira, diminuir o preconceito e consequentemente o analfabetismo digital no Brasil.