A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/01/2021
No período em que presidenciou o Brasil, Getúlio Vargas, utilizou-se da rádio - um meio tecnológico - em prol de seu governo. Paralelo a isso, diante dos variáveis avanços a partir da Revolução Industrial no século XVIII, muito se discute sobre a aplicabilidade da era digital e seus beneficios no dia a dia. No entanto, no Brasil, a questão do analfabetismo digital é um problema que persiste até os dias atuais. Sob esse viés, é explícito que a falta de habilidade, além de ser uma desvantagem, oportuna na expansão das fake news.
Em uma primeira análise, é imprescíndivel ressaltar que a modernidade tecnológica contribui para uma sociedade avançada, pela facilidade de acesso e comodidade oferecida. Desse modo, de acordo com o educador canadense ‘‘Marshall McLuhan’’, o surgimento de novas tecnologias enseja novas formas de pensamento e, por conseguinte, novas formas de organizaçao social. Parafraseando McLuhan, a utilizaçao de meios digitais proporciona amplas possibilidades, que vão de entretenimento até ramos profissionais. Contudo, a escassez de habilidade, isto é, a falta de preparo por grande parcela da população torna-se um problema, uma vez que, para uma socialização segura, é necessario a dominância no meio. Ainda, de acordo com o relatório anual ‘‘The Inclusive Internet Index 2019’’, o Brasil situa-se na posição 66ª de ranking com 100 países, no quesito ‘‘alfabetização e preparo’’, o que evidência a adversidade.
Ademais, a crença e o espalhamento de notícias inverídicas é resultado de uma população leiga digitalmente. Além disso, as notícias falsas ou ‘‘fake news’’ são, incialmente, publicadas com intuito proposital, a fim de favorecer algo ou alguém, como no plano de governo de Vargas. Desse modo, se tratando de conhecimento e dominío frágil, uma população está, consequentemente, sujeita à essas desavenças. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade encontra-se cada vez mais submetida à forças externas, diante disso, fica evidente o poder que essa ciência tem de englobar as pessoas, inabilitadas tecnologicamente, num mundo, muitas vezes, fantasioso.
Para tanto, faz-se mister ações para solucionar a problemática. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação (MEC), maior investimento no setor educacional e tecnológico, através da implementação de aulas de informática básica e instrução digital em todas as escolas do país. Dessa forma, desde cedo os alunos terão a possibilidade de aproveitar a era digital com total preparo, para assim, através dela, aprimorar o desenvolvimento pessoal e social, além de não mais se submeterem a acreditar e compartilhar as fantasias de uma notícia falsa. Espera-se com isso que, em contraste de Vargas, as pessoas se beneficiem do meio, sob condições fidedignas.