A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
No fim do século XIX, Júlio Verne, em “2000 Léguas Submarinas”, vislumbrara para o futuro uma sociedade moderna, mergulhada na evolução e no otimismo. A pós-modernidade corrobora, em parte, as projeções do autor, mas a ineficácia estatal e a formação histórica materializam a antítese da prospecção do escritor francês e fomentam o analfabetismo digital no Brasil.
Mormente, a ineficiência estatal consubstancia maiores desafios. Esse paradigma político alicerça-se na inação do Estado para atender sua agenda fisiologista, que prioriza suas próprias ações em detrimento das demandas populacionais. Essa conjuntura governamental pode ser compreendida à luz da reflexão de Maquiavel que, em “O Príncipe”, desvelou a necessidade de o governante conduzir suas ações visando sempre perpetuar seu poder. Nesse sentido, fica evidente que ao secundarizar o analfabetismo digital para priorizar suas ações, o Estado não combate o problema e promove sua continuidade. Sendo assim, a estratégia de Nicolau Maquiavel não parece ser a melhor opção para combater a não alfabetização tecnológica.
Outrossim, a intensa desigualdade quanto ao aceso de bens materiais constrói-se como subproduto da formação histórica do território nacional. Sob essa análise, segundo o materialismo histórico, criado por Friedrich Engels e Karl Marx, os meios de produção são determinantes para caracterizar a sociedade e a situação econômica dos indivíduos. Na construção histórica do Brasil, quem tinha posse de bens era a metrópole e mais tarde um grupo oligárquico restrito – realidade que se fundou a partir da intensa dominação desses grupos de poder sobre a maioria da população, subjugada. Assim, a parte da população com uma com uma situação econômica desfavorecida sofre danos ao não ter acesso à internet e a meios tecnológicos, o que dificulta o aprendizado e estimula o analfabetismo digital.
Em suma, faz-se necessária a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, urge que o Ministério do Trabalho, por meio de verbas governamentais, crie um programa de geração de empregos a fim de avultar o número de empregados e a renda da população, além de possibilitar a todos o acesso à tecnologia. Ademais, a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, em conjunto com o Ministério da Educação, deve promover palestras nas instituições de ensino, desde a mais tenra idade, que ensinem como manejar e utilizar aparelhos digitais. Tais palestras deverão ser públicas e mediadas por profissionais qualificados, com a finalidade de atender o maior público possível com qualidade. Dessarte a sociedade contemporânea estará mais próxima do que Júlio Verne vislumbrou para o futuro.