A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Em meados de 1930, o Governo Vargas implementou uma série de medidas responsáveis por uma maior industrialização nacional, o que favoreceu o desenvolvimento tecnológico e a sua posterior democratização. No entanto, mesmo após anos de desenvolvimento, muitos indivíduos são privados do uso da tecnologia de comunicação e de informação, contribuindo para o agravamento do analfabetismo digital. Dessa forma, tal problemática concretiza-se pela disparidade econômica social em consonância com a falta de preparo do sistema educacional para o uso das novas ferramentas técnicas.
Em primeira instância, com os baixos salários, muitos cidadãos não possuem condições monetárias suficientes para a compra de recursos digitais. Nesse ínterim, o uso da internet e de aparelhos tecnológicos, como os celulares e os computadores, é dificultado pela incapacidade de sustento financeiro, o que excluí o indivíduo do aprendizado e da facilidade do universo cibernético. Consoante a isso, dados do G1 apontam que cerca de 25% da população brasileira não possui acesso à internet, o que configura um cenário marcado pela segregação socioeconômica aliada a não democratização dos serviços públicos. Logo, infere-se que há a necessidade de um melhor planejamento governamental voltado para a distribuição de benefícios para a sociedade, para que se estabeleça uma equidade.
Ademais, o despreparo do sistema público de ensino para o porte das ferramentas digitais é uma das causas da mazela. De modo análogo, o ex-presidente americano Thomas Jefferson responsabilizou o governo nacional por atender às necessidades do seu povo, provendo insumos que garantam o bem-estar da comunidade. Nesse sentido, as atuais ações políticas destoam com o dizer do ex-Chefe de Estado, visto que muitos investimentos destinados à educação são realocados para outras áreas, como o agronegócio, corroborando um desequilíbrio social, no qual há uma primazia pelo aumento econômico em detrimento ao serviço social. Assim, nota-se que os ideais democráticos estão sendo substituídos pelos interesses privados.
Portanto, o analfabetismo digital é uma problemática alicerçada na má administração política circundante no País. Por isso, é mister que o Ministério da Tecnologia busque formas de baratear o acesso aos recursos tecnológicos, por meio de negociações com outros países em busca de melhores ofertar de pacotes de internet, bem como o acerto de acordos bilaterais com nações amigas acerca da redução de tarifas alfandegárias, com o fito de tornar acessível o uso das ferramentas cibernéticas ao grande público. Outrossim, urge ao Ministério da Educação investir em tecnologia nas instituições escolares, por meio da construção de salas informáticas, com computadores e tablets, com o objetivo de democratizar o acesso tecnológico, cumprindo a meta estabelecida desde 1930.