A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário da questão do analfabetismo digital no Brasil: uma inércia que perdura em detrimento do obstáculo de adaptar-se à internet, além do escasso acesso às tecnologias. Dessa forma, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao uso efetivo e integral das redes não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, o escritor austríaco Stefan Zweig afirmou em sua obra literária, “Brasil, País do Futuro”, que grandes inovações tecnológicas e sociais iriam ser efetivadas na nação. Entretanto, concomitantemente aos benefícios que a internet proporciona, o analfabetismo digital se mostra bastante presente em meio aos internautas devido às dificuldades encontradas em seu usufruto, muitas vezes gerada pelo excesso informacional - e pouco instrucional - existente. Com isso, tal dinâmica promove um afastamento - da tecnologia e daqueles que contém um conhecimento prévio sobre a temática - de indivíduos leigos digitalmente e favorece na formação de um dilema social com dimensões cada vez maiores.

Sob outro prisma, faz mister salientar a dificuldade de acesso a computadores e à internet como impulsionador da problemática. Outrosim, Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura da exclusão de grande parte da população frente à tecnologia é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, tal realidade é vivenciada, muitas vezes, em regiões periféricas do país que não tem assistência do Estado e são negligenciadas, o que impede a fruição de um dos direitos previstos na Constituição Federal de 1988: a inclusão.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, o Ministério da Educação deve criar cursos que capacitem a população à dinamicidade das redes e promova o seu uso integral. É necessário, também, que o Governo Federal propague o desfruto à esfera digital, por intermédio da contrução de lan houses populares em áreas estratégicas das cidades, para disponibilizar computadores e acesso à internet gratuitamente, a fim de assitir indivíduos mais vulneráveis. Somente assim, construir-se-á um corpo social justo e conectado, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.