A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país - prevê, em seu artigo 6º, o direto à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os desafios do analfabetismo digital no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direto social tão importante. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da nigligência estatal e os aspectos culturais de ensino que favoreceram esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o déficit da educação digital no país. Dessa maneira, poucas são as políticas públicas que garantem o acesso democrático a computadores e à internet no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25% dos brasileiros não possuem acesso a internet e as ferramentas necessárias  para a execução, como compultadores ou smartphones. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos universais, como a igualdade e a educação de qualidade, o que até então é evidente no país.

Outrossim, vale salientar o modelo arcaico do  ensino como impulsionador da problemática do analfabetismo digital no Brasil. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Conforme as ideias de José Pacheco - educador português - para ele, no sistema educacional brasileiro, os alunos do século XXI têm professores do século XX e propostas teóricas e didáticas do século XIX. Todavia, isso mostra a forma com que o sistema educacional brasileiro é ultrapassado, não atendendo as necessidades da população com eficiência. Assim, é essencial que haja uma intervenção para conter esse revés.

Infere-se, portanto, que é fundamental a adoção de medidas capazes de combater os desafios do  analfabetismo digital no Brasil. Logo, o Ministério da Educação - órgão responsável pelas diretrizes educacionais no país - deve ampliar com urgência o acesso às novas tecnologias nas escolas, por meio de distribuição do redirecionamento de verbas para aquisição de computadores e para a formação de professores e alunos. Nesse sentido, o fito de tal ação é promover a educação digital e diminuir o analfabetismo. Somente assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.