A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Federal brasileira assegura o acesso a esfera educacional –seja fundamental, médio ou digital-, como direito comum a todo ser humano. Todavia, nos aspectos mencionados, sobretudo cibernético, a realidade acerca da educação difere do postulado, uma vez que considerável parte da população não contempla tal direito. Nesse sentido, tanto o sistema governamental do país quanto padrões históricos reincidentes de comportamento mostram-se agravantes da problemática; assim, faz-se urgente um olhar mais crítico para mitigar tal cenário.
Em primeiro plano, cabe destacar que as escolas públicas brasileiras, além de desprovidas de infraestrutura tecnológica, apresentam frágil corpo docente, cuja abordagem de ensino digital não contribui para formação de cidadãos autônomos. Nesse contexto, juntamente com 33% dos jovens brasileiros, que de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, nem ao menos se enquadram como usuários da internet, a população dependente dos ensinos informáticos escolares situa-se rumo ao analfabetismo digital. Diante disso, direitos constitucionais de adolescentes são reprimidos e há formação de um quadro social em que os mesmos não se qualificam para o mercado de trabalho por possuirem requisitos tecnológicos básicos para tal não preenchidos.
Em segundo lugar, heranças familiares de fragilidade social não contornadas pela educação excluem uma parcela populacional adulta do acesso à cybercultura –ambiente de troca de conhecimento cibernético-. Isso ocorre porque, em consequência da lacuna na formação digital, uma massa popular origina-se e compõe um quadro de “Invisibilidade Social” – conceito desenvolvido por Simone de Beauvoir-, em que indivíduos não ascendem socialmente devido sua condição de ignorância, porque mesmo familiarizados com meios tecnológicos, não sabem utilizá-lo como ferramenta de mudança socioeconômica, o que fomenta ciclos de pobreza responsáveis por marginalizar essa camada.
Registra-se, portanto, a necessidade de coersão governamental para reverter esse panorama. A fim de democratizar o acesso cibernético e reduzir a taxa de analfabetismo digital brasileira, cabe ao Ministério da Educação, por meio do Plano Nacional de Educação, investir fundos monetários na aquisição de equipamentos necessários para o desenvolvimento da autonomia digital do indivíduo, bem como professores instrutores capacitados para mencionada tarefa. Ademais, é dever dos municípios e estados -quanto reguladores escolares- tornar público o espaço tecnológico escolar, o que reduzir-se-á a problemática do ciberanalfabetismo no Brasil, com a garantia de direitos constitucionais efetivados.