A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento mais importante do Brasil, presume, em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal benefício não tem sido desfrutado com ênfase na prática quando se analisa o analfabetismo digital, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito crucial. No tocante a isso, esse problema é causado principalmente pela omissão governamental e há, como consequência, a interferência no desenvolvimento das pessoas.
Em primeiro lugar, é lícito ressaltar que é nítida a falta de investimento em educação no Brasil. Sobre isso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os cidadãos foram abandonados aos seus próprios recursos. Em relação a isso, o governo não oferece assistência básica para combater o analfabetismo digital, já que não ensina às pessoas como usar os aparelhos tecnológicos que facilitam na comunicação, os quais são meios de obter informações e conhecimentos de forma rápida e prática, como notícias importantes e livros acadêmicos. Dessa forma, pelo desamparo da autoridade administrativa e, consequentemente, pela falta de ajuda a descobrir e explorar o mundo virtual, as pessoas mais vulneráveis, como idosos e periféricos, não têm o privilégio de aproveitar o ambiente digital. Logo, a omissão governamental, no país, acentua esse empecilho.
Ademais, é fundamental apontar que há, como resultado do problema, a interferência no desenvolvimento pessoal e profissional dos sujeitos. Referente a isso, no conceito “Tábula rasa”, criado pelo filósofo John Locke, as pessoas são como telas em branco que são preenchidas com suas inflências e experiências. Ao aplicar isso a essa questão, com falta de vivência no meio virtual, pela ausência de ensino a usar celulares e computadores, os indivíduos são limitados a se comunicarem e a avançar profissionalmente. Dessa forma, eles podem ser excluidos socialmente, uma vez que não conseguem conversar, receber mensagens importantes e nem enviar recados rapidamente, além de encontrar dificuldades no trabalho, como usar aplicativos essenciais para a execução do serviço, ou até não serem empregados, dado que o mercado de trabalho favorece aqueles mais atualizados nos estudos profissionais. Assim, é inadmissível que esse cenário permaneça.
Diante do exposto, é preciso amenizar o impasse. Então, é essencial que o governo federal, como instância máxima de administração executiva, ensine a população vulnerável a usar os mecanismos virtuais, por meio de palestras em ginásios públicos das comunidades nacionais. Portanto, tem como finalidade cessar o analfabetismo cibernético, com o intuito de garantir o direito à educação evidenciado na Constituição de 1988. Só assim, o país poderá evoluir.