A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não é efetivada na esfera digital, uma vez que o Estado não propõe políticas efetivas que universalizem a educação digital,  o que favorece o analfabetismo cibernético e priva a população do mundo virtual e seus benefícios. Diante disso, faz-se imperiosa a adoção de medidas que minimizem os fatores que favorecem a manutenção do analfabetismo digital no país.

Em primeira instância, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais que visam oferecer educação digital à população. Nesse sentido, o analfabetismo digital cresce no Brasil diante da omissão do Estado cuja falta de políticas públicas é um problema para a democratização do conhecimento do mundo das redes e da tecnologia. Essa conjuntura, segundo John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como a educação, o que , infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental pontuar que , uma vez em aumento, esse tipo de analfabetismo exclui essa parcela da população de desfrutar dos benefícios da tecnologia. No filme " Enrolados" , Rapunzel vive em uma enorme torre e é impedida,por sua mãe, de conhecer o mundo lá fora. Apesar de fictício, a realidade do filme assemelha-se ao que vivem as pessoas iletradas virtualmente, pois são impedidas pela torre do analfabetismo de usufruir do ambiente digital de forma proveitosa. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de superar esses obstáculos para fazer jus ao direito garantido na Carta Magna. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio da criação de um Plano Nacional de Inclusão Digital, crie aulas obrigatórias de conhecimentos digitais e computação em todo ensino de nível básico e médio.Tal medida tem o intuito de oferecer, de forma ampla, o acesso a uma educação que proporcione o conhecimento do mundo da tecnologia, suas ferramentas e seus benefícios. Assim, será consolidado uma sociedade mais igualitária, aonde o Estado cumpre corretamente seu “ Contrato Social”, tal como afirma John Locke.