A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à cidadania digital, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que potencialmente minimizariam a questão do analfabetismo digital no território nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens governamentais e analisar as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.
Em primeira instância, é fulcral ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a precária atuação das autoridades acerca da criação de mecanismos que coíbam a questão do analfabetismo digital no território nacional - como proporcionar equidade de acesso às novas tecnologias, com o propósito de introduzi-las ao brasileiro - permite que esse quadro seja uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.
Ademais, as repercussões desse imbróglio são incontestáveis. Por esse ângulo, convém salientar que a alfabetização digital está diretamente relacionada à confiança e à segurança no uso da internet. Nessa lógica, indivíduos que não sabem usar corretamente as inovações tecnológicas confiam facilmente no que é dito nas plataformas on-line, o que viabiliza ataques digitais de grande porte. Isso é um grave problema, uma vez que, conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à segurança, o que destoa da realidade do Brasil, dado que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove pessoas é vítima de cibercrimes no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse empecilho, de modo a cumprir a Lei Maior.
Assim, para combater a questão do analfabetismo digital no Brasil, o Estado deve proporcionar equidade de acesso às novas tecnologias. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado “Transformação Tecnológica“, tendo como objetivo introduzir o brasileiro aos computadores, aos notebooks, aos tablets e aos smartphones, o que mitigaria o impacto nocivo do problema, e, consequentemente, asseguraria a cidadania digital no território nacional. Dessa forma, a coletividade alcançará, em médio e em longo prazo, a Utopia de More.