A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem reverberado com ênfase na prática quando se observa o analfabetismo digital, dificultando, desde modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o analfabetismo digital. Nesse sentido, um dos desafios da ignorância tecnológica é a desigualdade social, já que segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,3% dos brasileiros que não têm acesso à internet alegam o alto custo do serviço. Pelo serviço ter um alto custo, as pessoas preferem dar prioridade a outras coisas, como a alimentação e moradia, isso acaba deixando esse contingente fora de boas oportunidades trabalhista e ao acesso à cultura que acaba acentuando mais ainda a desigualdade.

Ademais, é a indicação fundamental de que a exclusão digital é uma das consequências desse problema no Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2016 após 63,3 milhões de pessoas totalmente desconectadas no território brasileiro. Ou seja, professores e alunos à margem por não terem acesso à tecnologia e às aptidões digitais, ampliados também a ignorância ao limitar o acesso ao conhecimento. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se identificar esses objetivos. Para isso, é imprescindível que o Estado por intermédio dos governos estaduais, promova a internet gratuita a todos, além de desenvolver oficinas gratuitas a fim de ensinar o manuseio, a linguagem e a real utilização da internet para todos os brasileiros que estão fora desse meio. Assim, se consolidará uma sociedade mais inclusiva digitalmente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma o filósofo John Locke.