A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
O surgimento da Internet e de suas subsequentes inovações não apenas elevou o patamar dos meios de comunicação, mas também revolucionou os modos de propagação de conhecimento. Embora seu uso seja algo comum e popularizado mundialmente, no Brasil, boa parte da população ainda se encontra privada do pleno domínio das tecnologias vigentes, fenômeno conhecido como analfabetismo digital. De modo a compreender melhor o tema, a falta de segurança digital e a ausência de uma educação abrangente são dois tópicos fundamentais a serem discutidos.
Primeiramente, a fragilidade da segurança cibernética no país compromete gravemente em um uso seguro da Internet. Nas últimas décadas, as inovações dos meios comunicativos e a entrada de diversas multinacionais do ramo alavancaram a popularização das mídias digitais. Segundo dados da Revista Valor SA, desde 2008, o número de “smartphones” quase quadruplicou, enquanto os gigabytes consumidos individualmente por ano cresceram 78%. Contudo, o boom tecnológico se chocou com um país de completa ausência de infraestrutura digital, fato esse que potencializou os crimes cibernéticos e colocou grande parte da população em risco. De acordo com uma pesquisa do Jornal Metro, 13 tentativas de golpe por aplicativos de mensagem acontece diariamente no Brasil. Portanto, medidas de proteção são vitais para o desenvolvimento desse setor de comunicação.
Igualmente, a inexistência de um projeto de educação digital também compromete a inclusão de grande parcela da sociedade no uso de mídias interativas. Concomitante com o recente desenvolvimento de novas tecnologias, muitos cidadãos se encontraram inertes à onda de inovação por não possuírem o conhecimento necessário para o manuseio dos novos aparelhos. À medida que a sociedade modernizou sua rotina, os indivíduos se tornaram inaptos para o novo modelo de convivência. Segundo um levantamento do Datafolha de 2019 84% dos idosos já foram obrigados a pedir assistência em tarefas rotineiras bancárias, justamente por não saberem lidar com as máquinas modernas. Logo, projetos que visem o setor educacional são urgentes de maneira a garantir os direitos básicos de cidadania.
Por fim, em conjunto com o progresso da tecnologia, o Estado deve também fornecer a infraestrutura necessária para um bom aproveitamento de toda a sociedade. De modo a resolver o problema, faz-se necessária a criação de uma autarquia regulatória sancionada pelo Presidente da República, por meio da alocação de 15% da verba do Ministério da Justiça para o construção do aparato técnico.