A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A quarta fase da Revolução Industrial, conhecida como Revolução Técnico-Científico-Informacional, consolidou a mudança na realidade da contemporaneidade que se estabeleceu com a presença do universo digital. Sob essa ótica, embora esse fato tenha proporcionado grandes avanços para mundo, ele também trouxe consigo o analfabetismo digital, que se estabelece como um problema recorrente na atualidade. Diante disso, faz-se necessário compreender como a desigualdade social e a falta de ensino acerca do uso das novas tecnologias contribuem com a perpetuação desse agravante.
Sob esse viés, evidencia-se como a desigualdade socioeconômica dificulta o acesso às ferramentas das novas tecnologias. Nessa perspectiva, segundo o Índice de Gini - mecanismo que estuda e indica o grau de desigualdade nos países - o Brasil está entre os 10 países mais desiguais do mundo. Nessa lógica, os indivíduos têm seu acesso aos meios digitais impossibilitado, uma vez que, sem condições financeiras, não conseguem se inserir no meio digital. Dessa forma, grande parcela da sociedade, devido à sua situação econômica, não tem ao menos a chance de aprender a utilizar os meios digitais, o que agrava mais ainda a situação do analfabetismo digital.
Soma-se a isso o aspecto da falta de ensinamentos no âmbito escolar sobre o uso da internet e dos seus meios digitais. Nesse sentido, o filósofo contemporâneo Pierri Lévy discorre em sua obra “Cibercultura” o fato de a internet poder proporcionar grandes avanços na sociedade devido ao seu vasto conteúdo intelectual e ainda fala sobre como não há o aproveitamento disso, principalmente nas escolas. Nesse viés, além de não serem ensinadas sobre como utilizar as ferramentas digitais, os discentes também não aprendem sobre o uso eficaz e produtivo da internet. Dessa maneira, as pessoas encaram o uso dela apenas como um meio para o próprio entretenimento e isso acaba desestimulando as pessoas a entender como usar os instrumentos digitais da melhor forma.
Portanto, é necessária a resolução para a desigualdade socioeconômica e para a falta de ensino sobre os meios digitais na escola, pois são fatores que agravam o analfabetismo digital. Decerto, cabe ao Ministério da Educação inserir na grade curricular das escolas, aulas específicas de informática que ensinem, além do uso dos instrumentos tecnológicos, a utilização produtiva da internet. Esse feito deverá ser promovido a partir do aprimoramento das salas de informáticas de todas as escolas e elas deverão ser disponibilizadas também para as famílias pobres, a fim de aumentar o acesso ao meios digitais e diminuir a exclusão digital. Além disso, o Estado deve garantir que as pessoas mais afetadas pela desigualdade tenham esse acesso às salas de informática. Com isso, a quarta fase da Revolução Industrial será integralmente positiva para a sociedade do Brasil.