A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A datar dos benefícios oriundos das sucessivas revoluções industriais, a contemporaneidade vivencia grandes avanços tecnológicos que aumentam a qualidade de vida dos indivíduos por proporcionar maior compreensão dos direitos civís obtidos na Constituição federal, por meio do aprimoramento ao acesso à educação. Entretanto, o uso democrático das tecnologias digitais enfrenta problemas em razão à falta de inclusão digital, principalmente da parcela mais pobre da população, e ao desamparo estatal para com o desenvolvimento de políticas públicas que visem o manejo adequado da internet. Desse modo, é fulcral discutir acerca do analfabetismo digital em evidência no Brasil.

Em primeiro plano, é imperioso destacar que a supressão da integração de indivíduos economicamente mais frágeis corrobora para a segregação socioespacial no território nacional. Nesse sentido, segundo o pensador contemporâneo Pierre Lèvy, a inserção da cultura digital na sociedade hodierna implica no maior acesso à educação que, consequentemente, contribui para a ascensão econômica dessa população. Sob esse viés, é notório a necessidade da ampliação dos direitos civís da população financeiramente defasada com o intuito de assimilá-los à inclusão social que lhes é garantido pela lei federal.

Outrossim, a utilização inadequada das tecnologias digitais cerceia o direito ao conhecimento e inibe a coesão social. Ademais, de acordo com dados estatísticos do Datafolha de 2018, o Brasil é um dos países que mais compartilha notícias falsas no ambiente digital, tal fato é justificado pela ausência de maior compreensão no que tange a veracidade das ideias difundidas. Desse modo, é imprescindível maior atuação governamental no que concerne o monitoralmento de más condutas na divulgação de informações deturpadas, com o objetivo primordial de assegurar o direito à cidadania.

Posto isso, medidas exequíveis são necessárias para coter o avanço do analfabetismo digital no Brasil. Dessarte, cabe ao Tribunal de Contas da União direcionar capital ao Ministério da Educação e Cultura para que juntamente ao Ministério da Justiça, promovam mobilizações por meio de palestras educacionais com profissionais pedagógicos que visem o aprimoramento do uso das tecnologias da informação da população brasileira e fomente a criação de um órgão público que fiscalize notícias potencialmente falsas na internet. Com essas medidas, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da problemática supracitada e a coletividade desfrutará plenamente as prerrogativas advindas das revoluções industriais.