A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A obra “Cyberculture”, do filósofo Pierre Lévy, retrata que, hodiernamente, o mundo real e o virtual sobrepuseram-se, desse modo, conhecer apenas um torna-se insuficiente para viver em harmonia na com o mesmo. Nesse sentido, a ausência de maestria com o âmbito virtual traz, consigo, problemas de covivência em sociedade cuja causa exprimi-se pela despreciação estatal aos empecilhos no aprendizado acerca da utilização de meios digitais que, consequentemente, induzem uma exclusão àqueles os quais desconhecem tais mecanismos. Logo, é imperioso analisar a questão no analfabetismo digital no Brasil.

Sob essa ótica, salienta-se que a postura despreocupada do Estado, no que concerne esse problema, apresenta-se como vetor geratriz. Desenvolvendo essa proposição, a Constituição Cidadã de 1988, em seu artigo 214, outorga a resposabilidade do Plano Nacional de Educação erradicar os problemas socioeducaionais da nação. Entretanto, a ausência de conclusões sobre o não alfabetismo nos meios eletrônicos evidencia o negacionismo, por parte do Estado, acerca da problemática, assim, deixando a população sem meios viáveis de aprender a utilizar as novas tecnologias para contornar isso.

Por conseguinte, ressalta-se que tal percalço impacta, diretamente, em uma discriminação por falta de habilidades no manuseio tecnológico. Progredindo essa afirmação, consoante filósofo Pierre Bourdieu, em seu conceito de violência simbólica, há uma segregação entre grupos sociais por possuírem caracteristicas diferentes. Interpretando esse raciocínio, na atual conjuntura social, relatada por “Cyberculture”, o analfabetismo digital acarreta uma exclusão, haja vista diferenciarem-se dos que possuem o conhecimento em usos cybernéticos, assim, causando uma indiferença dos indivíduos dentro do convívio em sociedadade.

Infere-se, portanto, que essa barreira tecnocrática de proporção mundial concatena um processo de repressão às pessoas dentro dos grupos nos quais têm contato. Por isso, urge que o Ministério da Educação, no intuito de tornar acessível a inclusão da nação brasileira a esse meio, introduza uma literacia digital de maneira gratuita e didática á população. Isso por meio de palestras e aulas as quais sejam gravadas e compartilhadas pelos meios de comunicação em massa visando o máximo de alcance. Enfim, alocando o Brasil na tendência deflagrada pelo pensador Pierre Lévy