A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, afirma que o processo de uma sociedade está intrinsecamente ligado a autonomia de seus cidadãos que a compõem. Entretanto, na realidade contemporânea brasileira, o analfabetismo digital vai de encontro a máxima de Rousseau, evidenciando uma grave crise social. Esse cenário antagônico tem sua raiz no crescimento exponencial da tecnologia e gera tristes consequências, tais como preconceito e exclusão social, sobretudo, com os idosos.
Em primeiro lugar, é fundamental lembrar que a 3° Revolução Industrial possibilitou uma ascensão significativa ao acesso aos meios digitais. Sob essa ótica, a população mais jovem, nascida a partir do século XXI, desfrutou de sua alfabetização junto às tecnologias de informação, logo, esse público cresceu ao lado de computadores, tablets e “smartphones”, que facilitaram a compreensão de mundo por estes jovens. Contudo, o público mais velho, como nossos avós, muitas vezes, não usufruiram destes ensinamentos na infância e, portanto, hoje, sofrem demasiadamente com o baixo entendimento da linguagem digital. Nesse sentido, dados do IBGE mostram que cerca de 170 milhões de brasileiros não sabem utilizar a internet, revelando a triste mazela do analfabetismo digital em nosso país. Destarte, o Brasil não só possui uma extrema dificuldade de desenvolver o raciocínio digital na população, mas também a autonomia de aprendizagem dos cidadãos, corroborando com Rousseau.
Além disso, é válido ressaltar que o preconceito e a exclusão social são graves consequências que o analfabetismo digital suscita na sociedade. Sob esse viés, o sociólogo Pierre Bordieu evidencia que essas vítimas de preconceito são prejudicadas seriamente, haja vista que a “Violência simbólica” não é só uma força física, como também é uma ação de ordem moral e psicológica que afeta as vítimas, prejudicando as relações sociais. Dessa forma, a teoria de Bordieu se comprova nas filas de supermercados, bancos e shoppings, na qual o público, principalmente, idoso sofre com atitudes deploráveis, ofensas e até mesmo agressões físicas, somente por não ter se adaptado ao mundo digital. Diante desse imbróglio constante, faz-se necessário o combate ao preconceito, a exclusão digital e todas as formas de restrição social que a tecnologia impõe a essa parcela vulnerável do povo.
Urge, destarte, que o Ministério da Educação, aliado ao Estatuto do Idoso, crie um sistema de ensino de tecnologia e informática unificado. Esse sistema será desenvolvido em escolas e bairros com maiores faixas etárias, além de divulgações periódicas nas mídias televisivas. Ademais, a ação deve ser feita por meio de professores de informática e psicopedagogas que ensinarão os passos básicos para desenvolver a linguagem digital. Desse modo, jovens e mais velhos serão contemplados com os ensinamentos tecnológicos,a fim de combater o analfabetismo digital e construir um país mais inclusivo.