A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade somente progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa a questão do analfabetismo digital no Brasil contemporâneo, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, uma vez que a inclusão tecnológica não é uma realidade no país. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o domínio insuficiente dos serviços e ferramentas digitais deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável  por garantir o bem-estar da população. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a democratização do uso de tecnologias de informação e comunicação ainda é uma utopia, visto que as pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade socioeconômica são, muitas vezes, negligenciadas pelo Estado e, consequentemente, impossibilitadas de acompanharem as inovações tecnológicas. Dessa forma, o que provém desse descaso com essa parcela da população é o crescimento contínuo das desigualdades sociais e a dificuldade no acesso pleno à educação, o que infelizmente é evidente no país.

Outrossim, é fundamental apontar a falta de capacitação para o manuseio de tecnologias como impulsionador da problemática em questão. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 41,6% dos brasileiros alegaram não saber usar a internet. Diante disso, é notório que existem barreiras vinculadas às competências dos usuários em lidar com dispositivos e serviços digitais, já que os idosos e os mais pobres têm maior dificuldade em naturalizar este convívio tecnológico. Por conseguinte, esse fator não possibilita que a inclusão digital se torne uma realidade próxima e fomenta a manipulação no contexto político, cultural e social dessa fração desprivilegiada na sociedade. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Cabe, portanto, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por intermédio de projetos de inclusão digital, ampliar o financiamento para a aquisição de dispositivos e serviços tecnológicos (computadores, pontos de acesso à internet e telefonia móvel), com foco em zonas mais carentes e afastadas, a fim de democratizar o acesso às inovações técnico-científicas hodiernas. Ademais, em consonância com as escolas e universidades, por meio de cursos e oficinas, capacitar a população excluída no âmbito digital, com o fito de assegurar a participação plena desses usuários na sociedade e garantir seus direitos à cidadania. Desse modo, o quadro vigente aproximar-se-á da concecpção iluminista de progresso.