A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988 garante o direito à igualdade para todos os indivíduos. Entretanto, essa prerrogativa estatal não é cumprida em sua totalidade, visto que o analfabetismo digital no Brasil se tornou um fator excludente e que, corriqueiramente, coloca o bem-estar populacional, direito fundamental dos brasileiros, em risco. Essa problemática é fruto da ineficiência do Poder Público e da falta de instrução populacional diante da internet.

A princípio, segundo Thomas Hobbes, o Estado é gestor dos interesses coletivos. Indo de encontro à máxima de Hobbes, muitos cidadãos não gozam de um poder aquisitivo necessário para adentrarem ao ambiente virtual. Segundo a Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a capacidade de compra diminuiu para mais de 40% dos brasileiros em 2020. Como consequência dessa disparidade econômica gerada por esses dados, cria-se uma segregação informacional em que os mais pobres, que já possuem dificuldade para garantir bens básicos,  ficam alienados do ambiente cibernético.

Ademais, a Revolução Informacional proporcionou diversas alterações na sociedade. Porém, no Brasil, a tecnologia, frequentemente, ameaça a integridade dos cidadãos em vez de oferecer facilidade. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os índices de golpes na internet cresceram exponencialmente em 2020, confirmando-se, dessa forma, a falta de instrução popular sobre a alfabetização digital segura. Consequentemente, muitos indivíduos são expostos à crimes virtuais que prejudicam o bem-estar do brasileiro.

Portanto, o analfabetismo tecnológico no Brasil é marcado por fragilidades. Dessa maneira, é importante que o governo federal minimize essa problemática. Assim, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destine investimentos à inclusão informacional, promovendo a compra de eletrônicos à familias em vulnerabilidade econômica a fim de democratizar o acesso cibernético. Do mesmo modo que cabe ao Ministério da Educação, em parceria com os governos estaduais, capacitar a população para um acesso seguro à internet, criando eventos em praças públicas que debatam a necessidade de cautela na web, além de oficinas de alfabetização tecnológica. Talvez, dessa forma, seja possível firmar a máxima de Hobbes e garantir a instrução populacional que sustentará a integridade dos internautas.