A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
“A tecnologia move o mundo”. A presente frase de Steve Jobs versa sobre o protagonismo das implementações digitais nas grandes transformações sociais. No entanto, ao se falar sobre a correta utilização e a real disponibilidade da tecnologia no Brasil, questionamentos têm sido debatidos no tocante ao fenômeno do “analfabetismo digital”. Nesse sentido, é colocada em pauta, não só a possibilidade de exclusão social, mas também uma maior vulnerabilidade a ataques hackers e fraudes.
Em primeiro lugar, verifica-se a viabilidade do comprometimento de direitos sociais. Antes do Iluminismo, a noção de cidadania era limitada a direitos não tão amplos, como o direito de votar e ser votado. Com a ascenção das ideias iluministas de John Locke, foram formuladas as bases para a percepção moderna da relação entre Estado e indivíduos, ao conceber o ser humano como um indivíduo dotado de razão e direitos naturais, como o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Paradoxalmente, nos dias contemporâneos, com uma concepção de cidadania mais difundida, os indivíduos ao mesmo tempo assegurados de cidadania podem não a ter, uma vez que, embora alguns gozem do usufruto de direitos civis e sociais, esses alguns, em vários casos não obtêm garantia de acesso às ferramentas tecnológicas ou não a sabem utilizar corretamente. Desse modo, pelo distanciamento da tecnologia da realidade social de algumas pessoas, uma espécie de “exclusão digital” é formada em conjunto com o “analfabetismo digital”, o que pode se tornar uma problemática difusa que atinge a todo o tecido social.
Outrossim, vale ressaltar a alta propensão aos crimes cibernéticos. Para Focault, a capacidade de se apropriar e dominar o discurso resulta em uma forma de poder. Nesse contexto, é imprescindível, para não ser compelido pelo poder, saber utilizar a ferramenta discursiva, aplicando-a nos mais diversos setores sociais. Paralelamente, com o mundo contemporâneo munido de diferentes aparatos tecnológicos, para não ser coagido por armadilhas virtuais, é necessário compreender e saber manusear as implementações digitais presentes nas distintas áreas da sociedade. Por conseguinte, é construída uma relação em que ser alfabetizado virtualmente configura tanto uma garantia de poder quanto uma garantia de segurança.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a escola, principal instância oportunizadora de socialização, por meio da abertura de redes de ensino, institucionalizar aulas sobre tecnologias presentes no dia a dia, para que mais e mais pessoas saibam utilizar as ferramentas tecnológicas, evitando possíveis fraudes. Dessa forma, a tecnologia poderá, de fato, mover o mundo e a vida de muitas pessoas irrestritamente, tornando o Brasil um país mais alfabetizado virtualmente.