A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/01/2021

Desde o início da Revolução Técnico- Científico- Informacional, que entrou em vigor na década de 1970, houve uma série de descobertas e evoluções no campo tecnológico, as quais trouxeram inovações, facilidade na obtenção de informações e notícias, além de fornecerem inclusão social e desenvolvimento socioeconômico. Porém, dentro do hodierno cenário do Brasil, os problemas advindos do novo panorama da tecnologia afetam o país com o surgimento do analfabetismo digital, o qual traz uma sequência de debates acerca de seus componentes. De um lado, existe a grande confiança da população depositada em todos os tipos de informações compartilhadas nas mídias socais e, de outro, a falta de segurança cibernética e proteção de dados no meio virtual.

A priori, a confiança de grande parte da população em notícias e informações vinculadas às redes sociais é considerado um impasse a ser discutido, visto que a tecnologia oferece uma liberdade total aos usuários para realizarem postagens validadas ou falsas, podendo-se assim, enganar o público digital. De acordo com o ranking da The Economist, o Brasil está em 4º lugar no nível de confiança em informações compartilhadas nas redes sociais. A partir dessa colocação, conclui-se que os brasileiros enfrentam o analfabetismo no quesito de desconfiança de informações virtuais, além de não utilizarem os meios tecnológicos de forma correta e com veracidade, constatando-se a falta de cidadania virtual.

Ademais, a segurança e o controle de dados dentro das redes virtuais do país são ineficazes e descomprometidas. Consoante dados da União Internacional de Telecomunicações, o Brasil está na 70º colocação na análise de comprometimento com a cibersegurança entre todos os países do mundo. Depreende-se assim que, há uma falha no processo de proteção online do país, acarretando em ataques, falta de legislações plausíveis e estruturas especializadas para a detenção dos processos virtuais ilegais, uma vez que, conforme a fala do professor de Ciência da Computação da Unicamp, Paulo Lício de Geus, o país tem infraestrutura adequada, mas não realiza as supervisões necessárias.

Portanto, medidas são essenciais para a resolução dos impasses. Faz-se necessário que o Ministério da Educação (MEC) implante nas escolas, desde os ensinos infantis, a matéria de educação tecnológica, por meio da contratação de professores especializados nas áreas virtuais, a fim de que seja criado um pensamento mais crítico acerca dos meios digitais e suas propensões às falsas informações. Outrossim, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados deve fornecer uma política rígida de punição e fiscalização dentro da tecnologia, garantindo a segurança de dados e de ataques cibernéticos. Com a implantação das medidas, o país terá uma confiança de dados eficaz e promoverá um desenvolvimento socioenconômico e de inclusão social com a utilização correta da tecnologia.