A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Francis Bacon, em seu livro “Nova atlântida”, relata uma sociedade perfeita, a qual se molda de maneira lógica e igualitária. No entanto, a realidade moderna observada é oposta àquilo que prega o autor, uma vez que questões do analfabetismo digital apresentam entraves para concretização dos planos de Bacon. Tal cenário oposto é fruto tanto da omissão governamental, quanto educacionais. Diante disso, torna-se essencial a discussão desses aspectos, a fim de uma melhor estruturação social.

Nesse sentido, faz-se relevante pontuar a atuação ineficiente dos setores governamentais. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a negligência das autoridades, grande parcela da população está sendo excluída do processo chamado revolução digital. Já que, o amplo debate do assunto é postergado e importantes leis como o marco civil da internet demoram ou sofrem para serem implementadas, prejudicando assim toda sociedade. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.

Ademais, é importante ressaltar problemas educacionais como promotores do problema. De acordo com Paulo Freire, apenas a educação pode libertar o indivíduo. Todavia, as escolas tem falhado em desenvolver um ensino capaz de estimular a reflexão e entregam indivíduos despreparados para enfrentarem os problemas contemporâneos, incluindo os digitais. Tal descompasso entre pessoas preparadas e despreparadas aumenta, ainda, a estratificação social em razão de, segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil ser o sétimo país mais desigual do mundo. Tudo isso retarda a ressolução do empecilho, dado que os problemas educacionais colaboram nessa perpetuação deletéria.

Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de um programa de inclusão digital. Tal programa terá como objetivo, entre outros,  incluir na Base Comum Curricular o ensino de uma matéria relacionada ao mundo digital, na qual os alunos poderão ter acesso desde cedo as novas tecnologias de maneira segura. Poderá também realizar-se palestras instrutivas nas escolas, com o objetivo de estimular que os jovens ensinem seus familiares menos instruídos como lidarem com tais ferramentas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, usando a educação, o impacto nocivo do analfabetismo digital, e a coletividade dará, um passo em direção à utopia Baconiana.