A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Conhecida como “cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a constituição federal foi promulgada em 1988 com a promessa de garantir a educação a todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que o analfabetismo digital configura-se como uma falha no princípio da isonomia. Sendo assim, percebe-se que o tema possui raízes amargas no Brasil, devido não só à falta de acesso à internet por parte da população, mas também a negligência do Estado.

Deve se destacar, de início, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 45,9 milhões pessoas no país ainda não tem acesso à internet, o que representa 25,3% da população com 10 anos ou mais de idade. Dessa forma, a alfabetização digital se torna mais difícil, pois 1/4 da sociedade não terá os recursos necessários para que consiga ser ensinado de forma igualitária, contribuindo assim para o aumento da desigualdade social e a exclusão digital. Diante do exposto, de acordo com John Locke, essa situação caracteriza como uma quebra do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos básicos, como a educação.

Nesse contexto, vale ressaltar que o problema também é afetado pela ausência de medidas gorvenamentais para ampliar a alfabetização digital. Observa-se, a escassez de informações, de incentivos e políticas públicas por parte do Estado, impossibilitando o conhecimento da população sobre a capacidade da conexão à internet, e os benefícios que ela pode trazer a educação. Em consequência, da pandemia do coronavírus se fez inevitável não surgir outro modelo de ensino, a educação a distância foi uma alternativa que surgiu e contribuiu para o avanço da formação por meio de tecnologias. Portanto é essencial que o governo amplie o acesso e as informações a sociedade, para que a inclusão digital aumente e seja possível a alfabetização de todos.

Em síntese, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo, o Ministério da Educação, juntamente com empresas privadas, por meio de investimentos, deve criar um aplicativo que seja acessível à todos, com videoaulas para cada idade, jogos interativos, atividades e provas ao final de cada aula. O Estado, por meio de propagandas, panfletos, deve incentivar e mostrar como funciona o aplicativo, além de oferecer esses vídeos na televisão para quem não tem celular ou computador. Nesse sentido, o feito de tal ação fará com que mais pessoas tenham conhecimento e opurtunidade da alfabetização digital. Somente assim, essa problemática será gradativamente erradicada, pois conforme Gabriel O pensador, “na mudança do presente a gente molda o futuro”.