A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Lilia Schwarcz e Heloisa Starling em sua célebre obra “Brasil: Uma Biografia”, assinalam ao ledor os comportamentos da sociedade brasileira. Nesse sentido, segundo as autoras, “destaca-se a árdua e tortuosas construção da cidadania”. Nessa conjutura, embora o Estado brasileiro possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se materializa, visto que o analfabetismo digital está em debate. Nesse contexto, torna-se evidente que a discrepância social, bem como a negligência governamental, altera, de forma negativa, a construção cidadã.
Em uma primeira perspectiva, a desigualdade histórica brasileira apresenta íntima relação com a existência desse cenário. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, em sua obra “Contrato Social”, a desigualdade social surgiu com base na noção da propriedade privada e na disputa por poder e riquezas entre os indivíduos. Essa ideia encontra-se materializada no processo de formação histórica do Brasil, o qual foi marcado pela disputa por riquezas entre as regiões e grupos sociais, instaurando um cenário de desigualdade que dificulta o acesso a tecnologias computacionais por grupos socioeconomicamente vulneráveis. Dessa forma, é indubitável que as disparidades existentes entre as regiões e classes dificultam a democratização do ensino digital, ocasionando na desvalorização da instrução eletrônica, uma vez que apenas as regiões desenvolvidas apresentam os recursos financeiros necessários para o letramento digital, e consequentimente promovendo a diminuição do analfabetismo.
Ademias, vale salientar a ingerência do governo como propulsora do problema. A esse respeito é oportuno destacar que a Constituição de 1988 prevê, em seu art. 6º, o direito à educação como inerente a todo brasileiro. Contudo os desafios no letramento digital atuam na destituição dessa garantia e ocasionam entraves como a dificuldade de interação social, a dificuldade de acesso ao ensino superior e a exclusão do mercado de trabalho. Logo, não é razoável que, em um Estado Democrático de Direito, não se garanta o acesso igualitário á alfabetização tecnológica de qualidade a seus cidadãos.
Por conseguinte, são fundamentais medidas exequíveis para atenuar o avanço desse empecilho no corpo social brasileiro. Portanto, necessita-se, prementemente, que o Governo Federal, na condição de responsável pelos interesses da administração federativa, encaminhe capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em ações para o combate à desvalorização do analfabetismo digital, por meio de políticas públicas mais eficientes, melhora na infraestrutura das escolas e contrato de professores capacitados em tecnologia da informação, a fim de aplicar, a médio e longo prazo, o impacto nocivo dos problemas relacionados ao analfabetismo digital. Desse modo, a sociedade brasileira assegurará sua condição cidadã, discutida por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling.