A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

No livro “Flores para Algernon” conhece-se a vida de Charlie Gordon, homem na faixa dos trinta anos que possui QI abaixo do padrão. Ao longo da trama observa-se como é a vida de Charlie e suas dificuldades de imersão no mundo contemporâneo, já que o mesmo não consegue escrever corretamente, bem como não sabe utilizar a tecnologia. Charlie passa por uma cirurgia que o deixaria “mais inteligente”, e é possível acompanhar gradualmente sua evolução. No entanto, isso acaba trazendo para a vida do cidadão tanto maleficios quanto benefícios, e isso acontece, à vista de que ele percebe como era motivo de zoação por seus “amigos”, em contrapartida, o mesmo se orgulha de sua grande evolução.

Paralelo a isso, é possível sair da ficção e aplicar o conceito em um problema que assola o Brasil nas últimas décadas. A internet chegou no Brasil em 1988, trazendo com ela um gigante avanço tecnológico, mas também escancarou a inacessibilidade, já que não era do privilégio de todos e que ainda não é. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que 25,3% dos brasileiros não tem acesso a internet, assim percebe-se que o Brasil não leva a tecnologia como avanço da educação em massa, além de ser de uso privilegiado e elitista, já que para se acessar a internet precisa-se de equipamentos tecnológicos de prontidão.

Ademais, há o benefício em questão da cibercultura, que advém de uma relação de trocas entre a sociedade. A cultura, as novas tecnologias de base micro-eletrônicas surgidas na década de 1970 e a globalização possibilitaram o compartilhamento de informações em larga escala. Sabe-se que isso é de extrema importância para comunicações entre governos, estados e também diretrizes de ensino.

No ano de 2020 teve-se a implementação do EAD, que trouxe consigo a revelação de que até mesmo doutores de universidades são analfabetos digitais, como foi o caso do youtuber Felipe Araújo, que teve disciplinas trancadas no curso de medicina, pois, os professores não conseguiam lecionar de forma virtual.

Em virtude dos fatos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Educação entre em parceria com escolas e projetos de ajuda social para que se implementem mais computadores em escolas e bibliotecas, dessa forma, desde cedo começaria a educação digital com supervisão. Desse modo, o Brasil conseguiria ocupar posições mais conceituadas nos rankings de baixo índice de analfabetos digitais, com a finalidade de ajudar na melhorara da educação no país. Sendo assim, poucos Charlies estariam tão avulsos em relação ao avanço da tecnologia, e seria mais facil e acessível sonar o problema.