A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, afirma que o processo de uma sociedade está intrinsicamente ligada a autonomia de seus cidadãos que a compõem. Entretanto, na realidade contemporânea brasileira, o analfabetismo funcional vai de encontro a máxima de Rousseau, evidenciando uma grave crise social. Esse cenário antagônico tem sua raíz no crescimento exponencial da tecnologia e gera tristes consequências, tais como: preconceito e exclusão social.
Em primeiro lugar, é fundamental lembrar que a 3° Revolução Industrial possibilitou uma ascensão significativa ao acesso aos meios digitais. Sob essa ótica, a população mais jovem, nascida a partir do século XXI, desfrutou de sua alfabetização junto às tecnologias de informação, logo, esse público cresceu ao lado de computadores, tablets e “smartphones”, que facilitaram a compreensão de mundo por estes jovens. Contudo, o público idoso, muitas vezes, analfabetos, não usufruiram destes ensinamentos na infância e, portanto, sofreram demasiadamente com o baixo entendimento da linguagem digital atual. Nesse sentido, de acordo com dados da revista “The Inclusive Internet Index 2019”, o Brasil encontra-se nas últimas posições do ranking no quesito da alfabetização. Sendo assim, nosso país possui uma extrema dificuldade de desenvolver o raciocínio digital na população, sobretudo, a autonomia digital de seus cidadãos mais velhos, corroborando com a ideia do francês, Rousseau.
Além disso, é válido ressaltar que o preconceito e a exclusão social são graves consequências que o analfabetismo digital oferece na sociedade. Sob esse viés, é possível perceber em filas de supermercados, bancos, shoppings e estabelecimentos comerciais uma grande dificuldade da terceira idade em interagir com os meios tecnológicos e, frequentemente, são alvos de críticas, ofensas e até mesmo agressões físicas. Dessa forma, o sociólogo Pierre Bourdieu evidencia que essas vítimas são prejudicadas seriamente, haja vista que a “violência simbólica” não é só uma força física, mas também é uma ação de ordem, moral e psicológico que afeta as vítimas, prejudicando as relações sociais. Diante desse imbróglio constante, faz-se necessário o combate ao preconceito, a exclusão digital e todas as formas de restrição social que essa parcela vulnerável da população sofre.
Urge, destarte, que o Ministério da Educação, aliado ao Estatuto do Idoso crie um sistema de ensino de tecnologia e informática unificado. Esse sistema será desenvolvido em escolas e bairros com maiores faixas etárias, além de divulgações periódicas na mídia televisiva. Ademais, a ação deve ser realizada por meio de professores de informática e psicopedagogas que ensinarão os passos básicos para desenvolver a linguagem digital.Desse modo, jovens e mais velhos serão contemplados com os ensinamentos tecnológicos,a fim de combater o analfabetismo digital e construir um país mais inclusivo.