A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/01/2021
A utilização de aparatos tecnológicos como meio de espionagem, durante a Guerra Fria, elucida o quão grandiosa é a necessidade de proteger-se e estar instruído no mundo cibernético. Entretanto, em um prisma hodierno, o analfabetismo digital ainda caracteriza-se um entrave os cidadãos tupiniquins, repercutindo tanto perigos econômicos, quanto ideológicos. Nesse sentido, seja pela leigalidade dos idosos em adaptar-se às inovações técnicas ou pela ausência de respaldo educativo na socialização virtual, a incipiente cibersegurança cunha-se prejudicial aos civis e, por isso, requer cuidados.
Previamente, é relevante salientar a ignorância da terceira idade quanto aos aparelhos digitais. À medida que a Revolução Tecnico-Científica Informacional instituiu-se, no século XX, o acesso à internet - antes restrigo aos Estados - foi disseminado para a população. Entretanto, a falta de conscientização social sobre roubo de dados e falásias virtuais caracteriza-se os primordiais motivos para cibercrimes posteriores, atingindo principalmente os mais velhos, pelo analfabetismo e descostume de uso. Assim, casos como sedutores estelionatários, invasões de contas bancárias e furto de informações crediárias deturpam a condição socioeconômica dos anciãos, tendo como resultado uma latente vulnerabilidade desse grupo. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Desse modo, instruir os idosos tecnologicamente faz-se fundamental.
Ademais, o pobre debate escolar sobre os entraves cibernéticos gera crianças ingênuas na utilização das redes. Conforme a oferta tecnológica é cada vez mais recente aos pequenos, a necessidade de uma ação capacitadora é indescutível. Contudo, a negligência dos centros de ensino em ofertar aulas efetivas de informatica e debater ética e moral nas redes faz dos menores não só vítimas, mas também potenciais criminosos no espaço conectado. Prova disso são os dados da revista The Economist, que revela o quarto lugar brasileiro na crença de notícias postadas em redes - O que, inquestionavelmente, pode resultar em alienação infantil. Logo, fazer dos colégios um espaço para proteção infantil é crucial.
Portanto, ações são indispensáveis para amenizar o analfabetismo digital no Brasil. Sob essa ótica, a criação de propagandas televisivas que alertem os mais velhos sobre a urgência de resguardar informações, por meio de parcerias publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é essencial no intuito de diminuir a vulnerabilidade dos idosos. Para isso, subsídios governamentais poderiam ser ofertados às emissoras. Outrossim, instituir a obrigatoriedade de palestras mensais em escolas sobre os riscos do mundo cibernético, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é mister no intuito de proteger os menores. Assim, os furtos de dados vividos na Guerra Fria não serão comuns no território nacional.