A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

O empreendedor Steve Jobs apresentava seus novos dispositivos digitais, prometendo revolucionar a vida das pessoas. Contudo, esses e outros produtos eletrônicos não compõem a vida de todos os cidadãos brasileiros. Essa problemática excludente é causada pelo analfabetismo digital no Brasil, o qual se mostra mais evidente na população idosa e entre jovens carentes.

Em primeiro plano, muitos cidadãos da terceira idade estão alheios à inovação digital - típica da terceira revolução industrial. Com isso, estão mais vulneráveis a golpes, a citar “phishing” (roubo de dados pessoais) e as conhecidas “saidinhas de banco”. Em consequência, crimes de estelionato alvejam principalmente esse grupo, como indica o portal UOL. Todavia, é imperativo encontrar soluções para a desinformação tecnológica senil que passem pela inclusão informacional.

Ademais,  considerando o conceito de “Sociedade em Rede” do sociólogo Manuel Castells, em que a “pós-modernidade” requer a integração do indivíduo à economia de rede, cujo maior ativo é o fluxo de informações, é, no mínimo, injusto excluir jovens mais necessitados. Nessa perpectiva, a equidade de oportunidades é um preceito básico do ordenamento jurídico nacional. Desse modo, os direitos legais estão figurando tão somente no papel, como explica G. Dimenstein na obra “O Cidadão de Papel”.

Logo, ações concretas são necessárias para mitigar o analfabetismo digital no país. Para tanto, ONG’s de idosos devem promover campanhas informativas, por meio de oficinas e eventos da melhor idade, para instruir-los a cerca dos riscos envolvidos na troca de informações com desconhecidos, com intuito de despertar-lhes mais desconfiança. O Ministério da Educação, por sua vez, tem que incluir disciplinas de educação digital na base nacional curricular do ensino médio. Dessarte, mitigar-se-á o quadro de segregação, concretizando as palavras de Jobs.