A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal 1988, documento jurídico mais importante do país, ratifica que todo cidadão brasileiro tem o direito de utilizar a internet e as ferramentas digitais disponíveis. Entratanto, tal afirmação não tem se reverberado com destaque na prática quando se observa o analfabelismo digital no Brasil, o que dificulta, desse modo, a inclusão de uma significante parcela da população. Diante dessa perspectiva, torna-se relevante debater não só a exclusão social, mas também a negligência estatal. Logo, é necessário analisar como mitigar esses impasses em questão.

Em primeira análise, vale destacar como o analfabetismo digital permite com que pessoas sejam excluídas socialmente no Brasil. De forma semelhante, na série norte-americana “Breaking Bad”, o personagem “Hector Salamanca”, deficiente físico e idoso, se vê abandonado em um asilo e excluído da sociedade no estado do Novo México. Em paralelo a isso, tal entrave ocorre a falta de dedicação por parte das pessoas em ensinar outras a usarem as ferramentas digitais e pelo raciocínio de que o indivíduo não tem idade ou inteligência suficiente para utilizar alguma plataforma, o que contribui para a perda de oportunidades de interação, tendo em vista que, de acordo com o site “opiniãointerna.com”, o país se encontra na posição 66ª de 100 países com pessoas mais alfabetizadas digitalmente. Sendo assim, medidas eficazes devem ser tomadas.

Alêm disso, é fundamental apontar a negligência estatal como impulsionadora do terrível analfabelismo digital em questão no Brasil. A esse respeito, o sociólogo e escritor polonês Zygmunt Bauman elabora o conceito de “Instituição Zumbi”, no qual, um órgão público é responsável por exercer determinada função social, porém não a cumpre. Esse nefasto panorama evidencia que a ausência de políticas públicas que orientem os cidadãos a operarem os dispositivos de forma correta - motivadas pelo uso irresponsável do dinheiro público - e a insuficiência de leis efetivas contribuem para a continuidade desse empecilho. Portanto, é inadmissível que esse cenário continue a persistir.

Em síntese, urge que a questão do analfabetismo no Brasil deve ser tratada com mais eficácia. Para isso, o Ministério da Cidadania (MC), deve elaborar um ciclo de palestras e reuniões que orientem os cidadãos a como fazer o uso correto das plataformas digitais - com a participação de especialistas em dados e cientistas da computação - via investimentos governamentais, a fim de garantir uma maior inclusão para indivíduos que tenham uma habilidade digital limitada. Dessa forma, esse problema será reduzido gradativamente.