A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2015, assegura o direito ao acesso de dados na internet. Todavia, a existência do analfabetismo digital, hodiernamente, impede que parte da população consiga desfrutar desse direito de forma continuada e plena. Nesse contexto, a perpetuação dessa problemática encontra-se atrelada à faixa etária dos idosos e à desigualdade social brasileira.

Mormente, a dificuldade do uso de tecnologias digitais é um problema encontrado, majoritariamente, na população senil do país. Nesse sentido, pode-se dizer que a Revolução Tecnológica evoluiu rápido demais e aqueles que hoje encontram-se na terceira idade foram superados pela marcha inexorável do tempo, obtendo pouco ou nenhum domínio sobre a nova era digital. Prova disso é a pesquisa de 2015 do CPS (Centro de Pesquisas Sociais), o qual apontou que cerca de 80% dos idosos do país não possuem domínio algum sobre a internet, não sabem o que é endereço eletrônico, sistema operacional ou manipular com desenvoltura as redes sociais. Destarte, é necessário a existência de cursos de informática presenciais para que haja a alfabetização digital dessa faixa etária.

Outrossim, o analfabetismo tecnológico está intrinsecamente atrelado à desigualdade social. Nessa conjuntura, muitas pessoas, inclusive aquelas em intensa vulnerabilidade social, não conseguem adquirir aparelhos digitais, como celulares e computadores, devido à carência de renda. A exemplo disso, a reportagem do Portal G1, de dezembro de 2020, expôs que a maioria dos brasileiros vivem em atenuada pobreza, com menos de um salário mínimo e às vezes não possuem sequer uma geladeira em casa. Dessa forma, é impossível que essas pessoas pratiquem o uso da internet se elas não têm acesso a ela, o que gera um “apartheid” de acessibilidade, na medida em que o pobre é excluído.

Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação crie cursos gratuitos que visem a ensinar o básico de informática para a população. Isso será possível por meio do investimento da Secretaria do Tesouro Nacional, a qual tem o importante papel de financiar o local do curso, os profissionais e às propagandas que devem ser televiosionadas na TV, com o fito de atrair o máximo de pessoas possíveis, principalmente, as idosas. Além disso, o Governo Federal deve criar um programa que deve acolher pessoas em situação de intensa vulnerabilidade social, a fim de alfabetizá-los na língua portuguesa caso sejam analfabetos e, posteriormente, presenteá-los com um aparelho digital e inserí-los no curso gratuíto supracitado. Assim, poder-se-á atenuar essa problemática no Brasil, indo a favor de uma sociedade mais acolhedora e igualitária virtualmente, o que poderá deixar a Lei de Acesso à Informação mais efetiva.