A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Segundo o filósofo Pierre Lévy, vivemos em uma sociedade hiperconectada, onde a internet passou a ser uma maneira de acessar espaços e direitos. Entretanto, é preciso destacar que alguns ainda estão “desconectados”, graças ao analfabetismo digital, seja pelos altos custos do acesso à internet, ou pela falta de investimentos governamentais na educação tecnológica. Diante disso, o debate acerca desses aspectos faz-se extremamente necessário.
Em primeiro lugar, é preciso destacar o analfabetismo digital como consequência da baixa atuação do Estado no que concerne à criação de mecanismos que coíbam sua recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, porém no Brasil, tal prerrogativa não se reverbera na prática, uma vez que as desigualdades sociais impedem uma parcela da sociedade possua acesso às redes. Infere-se, portanto, que é necessária a reformulação desse comportamento omisso estatal.
Ademais, é preciso apontar a falta de investimentos no ensino de informática básica pelo Brasil como promotor do problema. Segundo pesquisas realizadas em 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 1/4 dos domicílios que não possuíam internet, tinha como motivo não saber utilizá-la. Isso retarda a resolução do empecilho, e contribui com a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, percebe-se que medidas devem ser tomadas. O Governo Federal deve fazer parcerias com o Ministério da Educação, no intuito de ofertar à população cursos gratuitos de informática e uso da tecnologia. Outrossim, parcerias com as grandes empresas de telecomunicação - a fim de garantir gratuidade de banda larga para a parcela da sociedade em situação de vulnerabilidade social - seriam eficientes. Dessa forma, o analfabetismo digital tende a ser mitigado através do ensino e o acesso a internet se tornará democratizado, facilitando assim, com que a Utopia de More seja alcançada.